Paralisação completa hoje 18 dias
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quarta-feira, 23 de março de 2005
Cristiane Oya<br> Reportagem Local 
A paralisação dos servidores municipais completa hoje 18 dias e se iguala em período à maior greve da categoria dos últimos 12 anos. A última grande paralisação geral dos servidores ocorreu em 1993, na gestão do então petista Luiz Eduardo Cheida (hoje PMDB). Atualmente, as negociações entre a administração municipal e os grevistas, liderados pelo Sindicato dos Servidores Municipais (Sindserv), estão suspensas. A prefeitura condicionou a retomada das negociações à volta ao trabalho. Os trabalhadores, que reivindicam 21% de reposição salarial, propuseram que fosse concedido um abono de R$ 140, até a confirmação do crescimento da receita.
Mesmo antes da paralisação, a administração vinha afirmando que não tem condições financeiras de conceder nenhum índice de reposição e que durante a primeira administração de Nedson Micheleti (PT) os salários dos servidores foram reajustados de 27% a 31%. A proposta do abono também foi rejeitada.
A greve de 1993 terminou com o pagamento de um abono aos servidores. Na época, o então secretário de Recursos Humanos, Luiz Fernando Pinto Dias, hoje vice-prefeito, participou das negociações. A reportagem tentou entrar em contato com o vice-prefeito há vários dias, mas ele não foi localizado.
Ontem pela manhã cerca de 200 servidores municipais conforme o Sindserv , participaram de uma passeata. Os manifestantes, munidos de faixas, apitos e fazendo coro com palavras de ordem e carro de som, passaram em frente às sedes da Sercomtel, da Cohab e do prédio onde reside o prefeito Nedson. Os servidores também levaram um caixão, simbolizando um enterro. ''Foi um ato simbólico do enterro não do prefeito mas da intransigência do prefeito, da falta de diálogo de quem não quer sentar e conversar com os servidores. Não é uma manifestação do sindicato, mas da categoria que está descontente com a postura do prefeito'', disse o diretor de comunicação do Sindserv, Waldir Roberto.
Em nota oficial, o prefeito lamentou ''a atitude da diretoria do Sindicato dos Servidores, que mais uma vez prefere partir para ataques pessoais contra a pessoa do prefeito e o seu partido, o PT, demonstrando claramente seus interesses políticos com a greve''.
A nota ainda considerou que a manifestação em frente à casa do prefeito, foi ''uma tentativa de constrangimento que extrapola toda e qualquer prática sindical. É uma falta de respeito inclusive à família do prefeito'' e que ''atitudes como essa que - cada vez mais - mostram o radicalismo e a intransigência da diretoria do sindicato, dificultam as negociações entre a Prefeitura e os servidores municipais''.


