Paraguaios que moram em Foz querem votar no Brasil
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quinta-feira, 31 de agosto de 2000
Emerson Dias De Foz do Iguaçu 
Os paraguaios com residência fixa em Foz do Iguaçu querem votar e até inscrever candidatos da comunidade na disputa de cargos públicos no Brasil, assim como fazem os brasileiros que moram no país vizinho.
Estas e outras reivindicações foram apresentadas durante a eleição que definiu a nova diretoria da Associação de Paraguaios Residentes em Foz, realizada esta semana. Apesar de não haver números oficiais, estima-se que a comunidade conta atualmente com cerca de 12 mil pessoas. Para o presidente eleito, Dionício Vasquez, conscientizar os paraguaios quanto à regularização dos documentos (naturalização) será a principal meta da entidade, mas destacou que os estrangeiros residentes há mais de 10 anos deveriam ter a oportunidade de escolher os governantes da cidade onde moram. Temos centenas de estrangeiros que já conseguiram a residência permanente depois de 30 anos, mas não querem deixar de votar no Paraguai porque também insistem em participar das eleições do seu país. Mas por que brasileiros nas mesmas condições podem eleger políticos no Paraguai?, questionou Vasquez, dando exemplos como as cidades de Santa Rosa, onde existem vereadores estrangeiros, e San Alberto, cujo atual prefeito é brasileiro. Nas localidades citadas, praticamente metade da população é formada por brasiguaios não naturalizados.
Morador de Foz desde 1973 e com família já constituída no Brasil, Vasquez preferiu não se naturalizar porque ainda participa ativamente da política paraguaia. Filiado ao Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), ele recorda orgulhoso as disputas acirradas entre seu grupo e os rivais do Partido Colorado e também a última grande conquista dos liberais: a eleição do vice-presidente Luiz Cesar Franco. No Paraguai não há interesse nas questões sociais e por isso precisamos estar presentes lá. Quanto ao consulado sediado aqui em Foz, o descaso com a gente é muito grande.
Mesmo demonstrando interesse na movimentação política do município, os paraguaios não naturalizados estão impedidos pela lei federal brasileira, que proíbe o voto de portadores da Carteira de Residência Fixa. Somente naturalizados com todas as documentações em dia podem participar das eleições. Funcionários do consulado paraguaio negaram que houvesse qualquer negligência por parte do departamento.


