Paraguaios ajudam a CPI a rastrear dinheiro
PUBLICAÇÃO
domingo, 16 de março de 1997
Agência Folha 
CURITIBA - A CPI dos Precatórios vai concentrar as investigações, a partir desta semana, sobre o grupo político que estava por trás dos laranjas, dos bancos e das corretoras envolvidas no escândalo da emissão de títulos públicos para pagamento de precatórios (dívidas judiciais).
A informação foi dada ontem pelo relator da CPI, senador Roberto Requião (PMDB-PR). Para descobrir quem costurava todo o esquema da lavagem do dinheiro, o relator, junto com a Polícia Federal, pretende rastrear os cheques que foram quebrados em pequenos valores pela corretora Perfil e pelo Banco Vetor, e que acabaram nas mãos de doleiros.
Ele também quer fazer o cruzamento das ligações telefônicas e das contas bancárias dos implicados que tiveram o sigilo quebrado. De acordo com o relator, somente com a cobrança de taxas de 45% a 80% sobre os títulos de Alagoas, Santa Catarina e Pernambuco, as corretoras e bancos envolvidos conseguiram obter aproximadamente R$ 40 milhões.
Esses valores foram quebrados em pequenos cheques e entregues a mais de cem doleiros, que agora serão procurados pela CPI. Com a ajuda de um grupo de senadores e deputados paraguaios, que vão a Brasília esta semana, a CPI espera conseguir mapear o caminho do dinheiro, depois de ser entregue pelas corretoras aos doleiros. A comissão já sabe que boa parte do dinheiro saía das corretoras para doleiros que operavam em Foz do Iguaçu (PR) e Ponta Porã (MS) e que o enviavam ao Paraguai. O senador ainda não sabe quando irá apresentar o relatório com as conclusões da CPI.


