Paraguai não vai acobertar corrupção
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sexta-feira, 28 de fevereiro de 1997
Sucursal de Foz do Iguaçú 
O presidente do Banco Central paraguaio, Hermes Gomez Gimenez, disse ontem que que não vai acobertar corrupção e que basta o Brasil pedir quebra de sigilo bancário para abrir as contas de supostos doleiros envolvidos nos negócios com os títulos públicos que estão sendo investigados pela CPI. Ele aproveitou para anunciar que em oito dias deve fica pronta uma auditoria que está sendo feita pela Superintendência de Bancos do órgão nas conta do Banco del Paraná, braço do Banestado.
Gimenez informou que não recebeu nenhum comunicado oficial do governo brasileiro pedindo a quebra de sigilo bancário dos doleiros, que segundo a CPI, eram usados na lavagem de dinheiro conseguido ilicitamente. Todos eles agem na fronteira entre o Brasil e Paraguai.
O presidente do BC rechaçou declarações feitas pelo Procurador Geral do país, Daniel Fretes Ventre, de que o Banco Central estaria acobertando operações financeiras. Nós ainda não abrimos as contas porque não houve pedido do governo brasileiro. Ninguém está protegendo operações financeiras irregulares. Por outro lado, o Brasil não pode buscar bode expiatório dentro do Paraguai, disse.
O Banco del Paraná acusado pelo vice-presidente, o paraguaio Cesar Rodrigues, de estar supostamente envolvido no esquema de lavagem de dinheiro também passa por uma auditoria. O superintedente de Bancos do BC, Angel Gabriel Gonzalez, pediu cautela nas investigações disse que pode adiantar se há ou não a participação do banco parananese no esquema.
Em Foz do Iguaçu, na fronteira entre os dois países, a Polícia Federal e a Receita Federal não falam sobre o assunto. De acordo com o levantamento da CPI, depois do depoimento do dono da IBC Factoring, Ibrahin Borges Filho, sete doleiros são acusados de lavar o dinheiro do esquema.
A paraguaia Carmem Alonso Javiel tem conta na agência do Banco do Brasil em Foz do Iguaçu. Ontem, a imprensa paraguaia anunciou que ela está em Pedro Juan Caballero, outra fronteira com o Brasil, na região de Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul.
Além de Carmem, os doleiros Sérgio Bertoncello, Benício Alonso Godoy, Holf Kramer (morto em acidente em janeiro), Pedro Velasquez Romero, Miguel Sosa e Rodolfo Castro Filho, todos com atuação na fronteira, são citados como envolvidos. Eles são acausados de transformar o dinheiro vindo da negociação dos títulos públicos em dolar e fazer aplicações em paraísos fiscais.


