Os deputados estaduais aprovaram ontem em Curitiba a prestação de contas da empresa paraestatal Paranacidade dos exercícios de 1996 a 1999. Durante este período, a Paranacidade, ligada à secretaria de Desenvolvimento Urbano, movimentou ‘‘quase US$ 415 milhões’’, segundo informou o secretário Lubomir Ficinski. Segundo cálculos do secretário, tomando-se por base o valor do dólar entre R$ 1,30 e R$ 1,40 o valor em reais ultrapassa R$ 530 milhões. A maior parte desses recursos foi aplicada em projetos do Paraná Urbano, financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (Bid).
‘‘É um problema que terminou’’, avaliou Ficinski, ao se referir à polêmica criada pelos deputados de que a prestação de contas deveria receber um parecer prévio do Tribunal de Contas (TC). ‘‘Sou legalista. A mensagem que criou a Paranacidade, enviada pelo Executivo, previa a análise das contas no TC. Mas a própria Assembléia, através da maioria das lideranças das bancadas, resolveu que os deputados iriam analisar os relatórios. Não cabia a mim discutir e, por isso, as contas sempre foram para o Legislativo’’, assegurou.
Ontem o deputado Cleiton Kiélse (PFL) – filho do presidente do TC, Kiélse Crisóstomo – ocupou a tribuna da Assembléia para defender a apreciação das contas do Paranacidade pelo tribunal. Ele chegou a apresentar um requerimento pedindo o adimento da votação. Mas como o projeto – de autoria da Comissão de Tomadas de Contas – tramitava em regime de urgência e antes do recesso já havia sofrido adiamento, a mesa não recebeu o requerimento. ‘‘Cometemos um erro crasso. Fizemos o contrário’’, lamentou o deputado, depois que o parecer favorável da comissão para votação foi aprovado por 33 votos a 7. Houve uma abstenção, do deputado Neivo Beraldin (PSDB).
Na opinião de Cleiton, os deputados aprovaram o projeto ‘‘sem saber o que estavam aprovando’’. O líder do governo, Valdir Rossoni (PTB), defendeu o Legislativo. ‘‘Não abriremos mão dessa nossa prerrogativa. A Assembléia tem a obrigação de analisar essas contas.’’

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