O vereador de Londrina Amauri Cardoso (PSDB), que denunciou ao Ministério Público (MP) a oferta de propina por aliados políticos do ex-prefeito Barbosa Neto (PDT), acredita que tese defendida pelos réus do esquema - de armação contra um grupo inocente de agentes públicos - é um subterfúgio para tentar inverter a realidade dos fatos. ''É uma estratégia de transformar bandidos em vítimas'', declarou.
Amauri, após ser abordado pelo chef de cozinha Ludovico Bonato e pelo ex-secretário de Governo Marco Cito com proposta financeira para que votasse contra a abertura da Comissão Processante da Centronic (que cassaria o mandato de Barbosa), procurou o MP e passou a gravar as conversas em que se evidencia a oferta de vantagem indevida. O vereador manteve encontros com os dois durante cerca de uma semana. Bonato e Cito foram presos em flagrante em 24 de abril. O primeiro, logo após entregar R$ 20 mil a Amauri, e Cito, porque teria repassado o dinheiro a Bonato. Além deles, respondem ao processo o vereador Eloir Valença (PHS), o ex-chefe de Gabinete Rogério Lopes Ortega, o ex-presidente da Sercomtel Roberto Coutinho Mendes e o ex-diretor de Participações da empresa Alysson Tobias de Carvalho.
Uma das estratégias foi Bonato dizer que o dinheiro seria um empréstimo a Amauri. ''Óbvio que conversei com ele sobre outros assuntos para não ficar tão evidente meu interesse. Mas jamais pedi dinheiro emprestado. Eles pegaram uma conversa solta para montar essa versão'', afirmou o vereador. ''As gravações demonstram exatamente como se deu a oferta de propina por eles.''
Pouco mais de seis meses após a denúncia, o vereador disse ter convicção de que adotou a medida correta. ''Por causa da minha denúncia, a Câmara abriu a CP. E a ''Lei da Muralha'' e o perdão de dívidas para a Unopar não prosperaram'', disse, referindo-se à revogação da Lei da Muralha e ao arquivamento do projeto que beneficiava a universidade. ''Sinto que cumpri meu papel de vereador mesmo pagando um preço, com ameças e essas tentativas de manchar minha honra.''

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