Para vereador, operação da CMTU fere a Lei Orgânica
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sexta-feira, 01 de dezembro de 2000
Lucilia Okamura De Londrina 
O aumento de capital de R$ 603,9 mil para R$ 1,5 milhão realizado em fevereiro pela da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU antiga Comurb) é ilegal porque fere a Lei Orgânica do Município (LOM). A afirmação é do vereador Tercílio Turini (PSDB), que disse que a mudança deveria ter consentimento do Legislativo. Turini espera a resposta da CMTU ao pedido de informações aprovada ontem pela Câmara para encaminhar providências.
De autoria do vereador Carlos Santa Rosa (PFL) e com emendas de Turini e da vereadora Elza Correia (PMDB), o pedido de informações é justamente para saber detalhes sobre a integralização de capital da CMTU. O presidente da companhia, Gustavo Santos, alegou que o operação, aprovada pelo Conselho de Administração da empresa, serviu para cobrir um déficit de aproximadamente R$ 780 mil.
Turini disse ontem que dois artigos da LOM prevêem que é vedado cobrir déficit de empresas e também aumentar capital de alguma empresa sem autorização do Legislativo. Queremos ver, com a resposta da CMTU, como foi o procedimento para fazer esse aumento de capital. No nosso entendimento, isso teria que ser realizado via projeto de lei na Câmara, argumentou.
A companhia tem 15 dias para encaminhar as informações. No início da semana, Santos compareceu à Câmara, apresentou documentos e garantiu que a operação foi legal. Embora a direção da companhia tenha negado a comercialização das ações, o assunto acabou revelando a integralização de capital da CMTU. O assunto só veio à tona no início da semana, em reportagem da Folha. A informação sobre a injeção de quase R$ 800 mil (há quase um ano) na CMTU pela prefeitura foi feita pelo vereador Sidney de Souza (PTB), representante da Câmara no Conselho de Administração da CMTU, e confirmada pelo secretário da Fazenda da época, Jair Gravena.
Após o aumento de capital, Gravena adquiriu mais de 400 ações da companhia, tornando-se o maior acionista minoritário. Na Câmara, Gustavo Santos explicou que cada um dos 42 acionistas tinha direito a comprar, proporcionalmente, ações com preço unitário de R$ 2,01. Como apenas quatro acionistas exerceram esse direito Gravena, Assad Jannani (ex-presidente da Cohab), Rubens Bento (diretor da Casa do Empreendedor) e Henrique Dias sobraram 403 ações, posteriormente arrematadas pelo então secretário. Questão moral ou imoral, eu não discuto. Mas foi legal, disse Santos.
Como maior acionista minoritário, Gravena tem direito de se auto-indicar ou um representante para o Conselho de Administração, com salário médio mensal médio de R$ 650. Ele não ficou no cargo. Indicou o atual secretário de Governo Sidnei de Oliveira.


