Para Tuma, doleiro é testa-de-ferro da Split
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quinta-feira, 27 de março de 1997
Antônio França Da sucursal 
FOZ DO IGUAÇU - O doleiro paraguaio Benício Alonzo Godoy é testa-de-ferro da Split, empresa envolvida na venda de títulos públicos e citada pela CPI dos Precatórios. A informação foi levantada pelo senador Romeu Tuma (PFL-SP), que investigou contas e ouviu depoimentos de pessoas próximas a doleiros na fronteira entre Brasil e Paraguai.
Segundo o senador, a Split converteu R$ 134 milhões em dólares e os enviou para paraísos fiscais, usando como porta de entrada a Casa de Câmbios Pantanal, que funciona em Ciudad del Este.
A casa de câmbio, apesar de estar em nome de Godoy, pertence a Enrico Piccioto, o mesmo dono da Split. Todo o dinheiro enviado pela Split para a Casa de Câmbios Pantanal chegou através da conta de Godoy no Banco do Brasil em Foz do Iguaçu e foi enviado por uma agência do Banco do Estado de Rondônia (Beron) em São Paulo.
O senador, que anunciou o fim das investigações na fronteira no final da tarde de anteontem, resolveu ampliar o rastreamento e ficou mais um dia em Foz. Logo pela manhã de ontem, ele dispensou seguranças e tentou despistar a imprensa. Se os jornalistas insistirem em acompanhar as investigações, nós não vamos conseguir depoimentos. Nesse assunto, ninguém quer ser taxado de delator, disse.
Pelo fundos do hotel Carimã, onde estava hospedado, o senador cruzou a fronteira para o Paraguai e conseguiu ouvir uma pessoa próxima aos doleiros. É um personagem misterioso que nós preferimos poupar nessa fase das investigações, disse.
Desse personagem, Tuma conseguiu pistas de como funcionava todo o esquema de lavagem do dinheiro conseguido na venda de títulos públicos. Existem pelo menos 50 doleiros envolvidos, disse o senador. O informante de Tuma confirmou que a CPI dos Títulos Públicos já tinha conhecimento: pelo menos R$ 470 milhões, vindos da negociação com os precatórios através das empresas Negocial, Split, Perfil e Investi-Sul, foram transformados em dólar através de doleiros da fronteira.
Tuma confirmou também que os depósitos feitos pelo Beron para as contas do Banco Amambay foram transformados em dólares e enviados para paraísos fiscais através do Banco Integración. Temos testemunhas. Agora, precisamos das provas para incriminar os envolvidos, concluiu.


