Para TSE, voto impresso é imenso retrocesso
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sábado, 17 de outubro de 2009
Catarina Scortecci<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Quando a reforma eleitoral aprovada pelo Congresso Nacional no mês passado foi para as mãos do presidente Lula (PT), o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Carlos Ayres Britto, reagiu. Ele pediu para que dois trechos da nova lei fossem vetados pelo Executivo: aquele que determina o voto impresso paralelamente ao voto eletrônico e aquele que permite o chamado voto em trânsito, dando possibilidade de voto ao eleitor que estiver fora do seu domicílio eleitoral. O apelo, contudo, não foi atendido. O presidente Lula chegou a vetar três pontos da lei, mas manteve os dois trechos questionados pelo TSE.
Durante encontro de membros dos tribunais regionais eleitorais do País, realizado nessa semana em Curitiba, ficou claro que a polêmica permanece. Para o secretário de Tecnologia da Informação do TSE, Giuseppe Janino, o voto impresso é considerado um imenso retrocesso. Já o voto em trânsito, ainda segundo ele, se trata de um desafio ainda a ser enfrentado.
A obrigação de imprimir o voto, segundo ele, é ruim em todos os sentidos: É uma intervenção humana no processo, o que pode gerar erros, fraudes, lentidão. Já abandonamos o papel há mais de dez anos, reclamou Janino. A reforma eleitoral, contudo, prevê que o voto impresso seja obrigatório só a partir de 2014. Trecho da lei define que após a confirmação final do voto pelo eleitor, a urna eletrônica imprimirá um número de identificação do voto que deverá ser depositado de forma automática, sem contato manual do eleitor, em local previamente lacrado. Após o fim da votação, a Justiça Eleitoral deverá realizar, ainda segundo a lei, uma auditoria das urnas eletrônicas, que deverão ter seus votos impressos contados e comparados.
Se houver uma diferença entre os dados eletrônicos e impressos o que valerá? Vamos levar em conta o quê?, critica Janino. Ele reforça que hoje já haveria segurança suficiente: Já existe um registro digital dos votos que fica à disposição de qualquer partido político. Também fazemos a votação paralela desde 2002, que permite a conferência entre votos eletrônicos e manuais de um determinado grupo de seções eleitorais, escolhidas por sorteio na véspera do pleito.
O secretário de Tecnologia da Informação também destacou que o TSE está na primeira fase de implantação da chamada votação por identificação biométrica. Ou seja, o eleitor trocaria a apresentação do título eleitoral por um sistema que verifica suas digitais. Em 2008, testes já foram feitos, o que se repete em 2010. No Paraná, os eleitores de Balsa Nova (Região Metropolitana de Curitiba) já irão votar pelo sistema de identificação biométrica no próximo pleito.
Questionado sobre os motivos que levaram o Congresso Nacional a aprovar uma medida que para o TSE representa retrocesso, Janino reconhece um problema: Sentimos que há uma fraqueza nossa para conseguir divulgar melhor o sistema, que é completamente seguro. Para representantes dos tribunais regionais eleitorais, o voto impresso significa a volta das longas filas de eleitores, atraso na apuração dos votos e desgaste da imagem institucional do TSE. A dificuldade orçamentária também é lembrada.
Uma proposta encabeçada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Rio de Janeiro se chama tela resumo, que seria uma tentativa de dar segurança ao eleitor. Atualmente, ao terminar a digitação do número do candidato na tela da urna eletrônica, uma tela seguinte já aparece, dando a impressão que o voto anterior ficou perdido. A tela resumo proposta pelo TRE apareceria no final do processo de votação, relembrando todos os votos já digitados pelo eleitor.


