''O sindicato, em um sentido amplo, é como um animal: se está alimentado, não ataca, pois a greve é um processo extremamente duro. E você não alimenta este animal, ele corre atrás da sobrevivência.'' A comparação é do doutor em Sociologia e Ciências Sociais pela Universidade Paris I - Sorbonne, Ariovaldo de Oliveira Santos, professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e especialista na área sindical.
Para o estudioso, a lógica do animal faminto é a mesma do sindicato que tem de lutar pelos direitos dos trabalhadores: ou sai para o ataque, ou não vê a causa ser atendida. ''Se você tem um patrão na esfera privada ou pública que respeita os direitos constitucionais - uma vez que não estamos em um país de inflação zero -, o sindicato não ataca. Mas para que a entidade coloque a categoria em movimento, é ela quem tem que sentir tal necessidade. Se o trabalhador ganha bem, vai ficar paralisado?'', questionou, incrédulo.
Santos vê no sindicalismo um fator positivo para se resguardarem os direitos do trabalhador, ainda que nem sempre mobilizações como greves, por exemplo, surtam o resultado esperado pela categoria - normalmente, a reposição de perdas inflacionárias e a melhoria das condições de trabalho. Em Londrina, onde há sete anos a inflação não é repassada ao funcionalismo, já são mais de 30% de defesagem, uma greve de 31 dias, em 2005, e outra, de 106 dias (a maior na história da categoria), ano passado. Não só nenhum índice foi apresentado, como também não há previsão de que isso ocorra mesmo no orçamento de 2008, apresentado pelo Executivo à Câmara, mês passado.
''A luta sindical é resistência - se fraqueja, recua. O que acontece em Londrina é que, embora a greve seja um movimento legítimo, o fator extra que é o campo jurídico não entende dessa forma - aí, com multas (em caso de não restabelecimento de alguns serviços à população, por exemplo), não tem como não se desmobilizar'', afirmou. (J.G.)

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