Para sociólogo, afastamento do cidadão favorece corrupção
Para o sociólogo Cézar Bueno, docente em duas instituições privadas de Londrina, a baixa ou quase nula participação do londrinense nos debates da Câmara é resultado de uma imagem nada saudável que se possa ter de política. Às vezes, a pessoa vê na política algo que só atrapalha, que só acarreta interesse pessoal ou de grupos poderosos. Sem falar na corrupção que muita gente associa à imagem da classe, comenta.
Outro fator para a apatia, na opinião de Bueno, é um possível desconhecimento das atribuições da Câmara de Vereadores. Há o descrédito no mecanismo de representação política; ao mesmo tempo, a população tende a pensar que o Legislativo local não toma decisões importantes, decisões que impactam no dia a dia, como o faz a Prefeitura, analisa o sociólogo, que complementa: Há um certo descrédito em mudar esse rumo. Resultado: a pessoa transfere responsabilidades aos seus representantes, mas não os fiscaliza, sem a consciência de que, quanto mais se afasta, mas ela facilita os mecanismos de barganha que vêm acompanhando o processo endêmico da corrupção no Brasil.
Se ele é otimista na mudança do quadro? Bueno aposta que sim, e com uma forma de conscientização que vai além dos bancos escolares.
O processo educacional não se limita apenas à escola - ele se espalha pelas associações de bairro, pelos demais mecanismos de representação popular e mesmo pela imprensa, no sentido de antecipar debates importantes que passariam despercebidos, aponta. E conclui: democracia não é, absolutamente, mero conceito. Creio que sem participação, não há democracia. Não se trata de transferência de poderes decisórios, e sim de participar ativamente para melhorar a atuação do Legislativo municipal e tornar mais transparente a distribuição do recurso público para aquilo que é de fato público, considera. (J.G.)





