Curitiba O Sindicato dos Serventuários da Justiça (Sindijus) vê com apreensão a nova proposta, porque ela cria uma série de novos juízos diversas varas e Juizados Especiais, por exemplo sem a previsão de aumentar o quadro de funcionários para atender essas novas estruturas. Para cada novo juízo criado são necessários seis funcionários, pelos cálculos do Sindijus. Portanto, seriam necessário 702 novos funcionários para o funcionamento adequado. Mas o projeto não prevê a criação desses cargos.
''Já temos a experiência da criação de estrutura sem funcionários para atendê-las. O resultado é o excesso de trabalho sobre os que já estão hoje na atividade e cada vez mais a lentidão da Justiça'', acusa o secretário Mário Montanha.
O caso dos Juizados Especiais é um bom exemplo da deficiência, em termos de número de funcionários. ''A Justiça Especial foi criada para ser rápida e barata. Mas hoje é lenta e burocrática'', critica a presidente do Sindijus, Rosely Colussi. Os Juizados Especiais só existem nas seis maiores comarcas (Curitiba, Londrina, Maringá, Ponta Grossa, Cascavel e Foz do Iguaçu) e ainda assim em vários lugares funciona basicamente com estagiários.
Em outros casos, as prefeituras cederam funcionários para que o Juizado Especial pudesse funcionar. Nas outras 150 comarcas o trabalho é acumulado em outras varas, o que torna o atendimento ainda mais lento.
A sobrecarga de trabalho tem reflexos diretos na qualidade de vida dos servidores. ''O número de casos de Lesões Por Esforço Repititivo (LER) está aumentando muito'', exemplificou Montanha.
O sindicato também critica o fato de o código conter dispositivos que interferem em salários, como um redutor salarial. ''Acreditamos que o assunto salarial deveria ser tratado numa lei específica. Há anos reivindicamos a criação do nosso plano de carreira, mas até agora não fomos atendidos'', disse o sindicalista.

mockup