Para Serraglio, Lula sabia do mensalão
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sábado, 25 de março de 2006
Catarina Scortecci<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Apesar do relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios, deputado federal Osmar Serraglio (PMDB-PR), ter confirmado que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sabia da existência do ''mensalão'' mesada paga a parlamentares para garantir apoio aos projetos do governo federal , o fato será apenas citado no relatório da CPMI. O documento tem mais de 2 mil páginas e será apresentado na próxima terça-feira.
Segundo Serraglio, Lula foi alertado sobre o ''mensalão'' por duas vezes, conforme depoimento do deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ). Em uma das ocasiões, o presidente da Câmara Federal, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), chegou a ser testemunha da conversa. ''Ele efetivamente tomou conhecimento da existência do mensalão'', afirmou Serraglio, durante entrevista coletiva ontem pela manhã, no Aeroporto Internacional Afonso Pena, na Região Metropolitana de Curitiba.
O restante dos envolvidos de alguma maneira em casos de corrupção, seja em relação a desvios financeiros ou mesmo por ações criminosas, deverão ter seus nomes ''sugeridos para indiciamento, colocados próximos a indiciamentos ou encaminhados a mais investigações'', conforme explicou o deputado.
O relator, no entanto, não quis adiantar quais parlamentares estão no relatório, além dos 19 nomes já divulgados. Mas informou que diversos assessores parlamentares, que deverão ser indiciados, poderiam indicar supostos envolvimentos de políticos. Em resumo, o relatório deverá conter informações sobre quais fontes alimentavam o sistema do mensalão, como ele era operado e a quem se destinava.
Sobre as dificuldades encontradas durante o processo de investigação, Serraglio desabafa: ''Só quem atua lá conhece os obstáculos que nós temos que enfrentar''. O deputado se refere a tentativas de mudar o objetivo inicial da CPMI: ''Identificamos vários focos de corrupção, mas eles não estão interligados necessariamente''. E também se refere ao que ele considerou como o maior empecilho nas investigações: ''Os bancos trouxeram mais dificuldades'', afirmou.
O deputado admitiu que nos últimos dez dias tem se isolado em Brasília para ''evitar pressões'', e que agora espera a punição dos envolvidos. ''Nós tivemos sim gente que nos envergonhou e eles devem ser responsabilizados''. Durante as investigações, a CPMI sugeriu por duas vezes, sem resposta positiva, a prisão do publicitário Marcos Valério, responsável pela distribuição do dinheiro aos deputados.
Questionado sobre as corrupções no executivo federal de maneira geral, Serraglio diz que ''no governo anterior se criou muita dificuldade para se investigar'', e que por isso não pode afirmar se o governo Lula é mais ou menos corrupto do que outros.
Apesar do relatório ser apresentado na terça-feira, ele só será discutido no dia 4 de abril. As informações colhidas durante a CPMI dos Correios, iniciada em junho do ano passado, deverão servir ao Ministério Público Federal e ao Tribunal de Contas da União.


