São Paulo - O discurso de posse do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), foi crítico, abordou temas atuais e contou com frases fortes e recheadas de citações. ‘‘Vivemos no Brasil um período de crise de valores. Não se trata de uma indisposição passageira ou de uma simples pane. Trata-se de uma crise mesmo’’, disse Serra, acrescentando que a crise tem caráter moral e prospera em uma economia onde faltam empregos e sobra estagnação.
  O governador afirmou que a ‘‘ineficiência crônica, a corrupção, o compadrio e o fisiologismo desmoralizam a democracia’’. Segundo ele, apesar de ser uma instituição ‘‘invisível’’, a confiança do povo passa a ser posta à prova a cada dia. Serra disse ainda que chega ao governo acreditando numa situação responsável e uma oposição sadia e vigilante.
  ‘‘Exigem prioridade à segurança das pessoas que passa pelo enfrentamento do crime organizado.’’ Serra ressaltou ainda que não será indiferente às questões nacionais e acrescentou: ‘‘para que o Brasil vá bem é preciso que São Paulo vá bem. Para que São Paulo vá bem é preciso que o Brasil vá bem’’. Além de Winston Churchill, o discurso de Serra contou com citações de José Bonifácio, Luiz Gama, Pompeu Magno e Fernando Pessoa.
  O novo secretário de Gestão e Administração do Estado de São Paulo, Sidney Beraldo disse, em entrevista coletiva, que a administração José Serra ‘‘dará continuidade’’ na gestão da máquina administrativa paulista, porém sem a necessidade de promover o chamado ‘‘choque de gestão’’. ’’ Será uma nova fase, muito importante, de continuidade do ajuste iniciado no Estado pelo PSDB, em 1995, e que aperfeiçoaremos a administração com transparência, valendo-se dos mecanismos mais modernos da tecnologia da informação e tratando com respeito o dinheiro público’’, declarou o secretário ao chegar ao Palácio dos Bandeirantes.
  Beraldo rejeitou a análise feita pelo ex-governador Cláudio Lembo (PFL), em entrevista a ‘‘Folha de S. Paulo’’, na qual comparou São Paulo com um Fusca. ‘‘Com todo respeito ao governador Lembo, ele falou na visão dele, a qual não enxergamos. Estive na Assembléia Legislativa de São Paulo nos últimos 12 anos e, naquela época em que o PSDB assumia o Estado, sim ele era um Fusca 1968’’, declarou.
  ‘‘Hoje a capacidade de investimento de São Paulo é de R$ 8 bilhões por ano, e pode ser tudo, mais está longe de ser um Fusca’’, acrescentou, recusando-se a dizer se o Estado seria a Maserati imaginada inicialmente por Lembo.

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