Para Requião, Secretaria do Trabalho deve acabar
O candidato das oposições, senador Roberto Requião (PMDB), surpreendeu ontem ao final da reunião com sindicatos dos trabalhadores, em Curitiba. Convidado para responder perguntas da categoria, o senador disse que se eleito vai extinguir a Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho por considerar a pasta um meio onde há troca sórdida de favores entre o movimento sindical e o governo do Estado.
As declarações de Requião causaram minutos de mal-estar e foram resposta a um dos questionamentos dos sindicalistas. Eles queriam saber do senador se um trabalhador poderia chefiar a pasta, durante seu governo. Devolvo a pergunta. Para que serve esta secretaria? É um pinduricalho. Essa proposta (de um trabalhador responder pela pasta) é meio pelega. Não gostei, afirmou, diante de uma platéia com cerca de 100 pessoas.
Para Requião, a Secretaria cooptou sindicatos e desviou recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Estou sendo franco. Escute-se tudo, esta pasta é prova da prática do peleguismo, observou. A polêmica criada pelo candidato chocou a platéia. Tania Maggi, da Federação Latino-Americana dos Trabalhadores de Transporte, disse concordar com as acusações, mas que a questão da discussão deve ser ampliada.
Maggi perguntou a Requião se sua disposição em extinguir a pasta faz parte de uma autocrítica. Durante sua gestão, a pasta denominava-se Secretaria do Trabalho e Ação Social. Os deputados Durval Amaral (PFL) e Djalma de Almeida César (PMDB) foram titulares. O Djalma só fez ação social, repicou o senador.
O coordenador político da campanha de Lerner, Cândido Martins de Oliveira, afirmou ontem que a proposta de extinção da Secretaria é prova de total ignorância do senador. A pasta tem objetivos institucionais e trouxe milhões em recursos para o Paraná, dinheiro do FAT, do Ministério e da Caixa Econômica Federal, rebateu. Para Martins de Oliveira, sugerir relacionamento espúrio entre movimento sindical e governo é sinal de desmerecimento dos sindicatos. Segundo ele, todas as entidades sempre tiveram o maior respeito no Estado. (L.D.)





