Para Requião, privatizar água é ação de quadrilha
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sábado, 24 de dezembro de 2005
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
O prefeito Nedson Micheleti (PT) ganhou no governador Roberto Requião (PMDB) um aliado de peso na cruzada contra uma suposta tentativa de privatização dos serviços de saneamento em Londrina. Em visita ontem à cidade, o chefe do Executivo estadual fez ataques à Câmara de Vereadores e sugeriu que defensores da proposta votada esta semana com as alterações propostas pelos parlamentares, as quais teriam viés privatizador, operam como ''quadrilha de bandidos'', ou simplesmente como ''canalhas''.
As críticas do governador foram provocadas por Nedson, que tocou no assunto ao lembrar do substitutivo votado na última sessão legislativa do ano, terça-feira passada. Na ocasião, a Casa aprovou em segundo e último turno o projeto que deixa o gerenciamento dos serviços de água e esgoto para o Município, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema), com a execução das tarefas a cargo de uma concessionária definida em processo licitatório. Em entrevista à Folha, no dia seguinte, o petista reclamou do resultado e afirmou que algumas expressões da matéria abrem margem para a privatização. Ontem, ele adotou discurso semelhante.
''O substitutivo da Câmara abre as portas para a privatização: irei vetar esse projeto e a água permanecerá de Londrina, e com os serviços através da Sanepar, que presta um serviço de excelente qualidade. Esse é um compromisso assumido frente ao governador, o presidente da Sanepar (Stênio Jacob) e o povo de Londrina'', disse Nedson.
A declaração do prefeito foi feita em uma tenda armada no aterro do Lago Igapó 2, onde Prefeitura e Estado assinaram o termo de cooperação pelo programa Viva o Verão. Formada por uma série de atividades esportivas e culturais, a iniciativa que já acontece em Foz do Iguaçu e no Litoral se estenderá ao aterro londrinense entre 13 de janeiro e 4 de fevereiro.
Afinado com o colega petista, Requião falou em um palco da arena montada sob um forte calor, dentro da qual se reuniram deputados, autoridades municipais e e o presidente da Sanepar. Do lado de fora, estava presente boa parte do secretariado de Nedson com os respectivos assessores da Procuradoria Jurídica à Sercomtel.
Apesar de não admitir estar em campanha pela reeleição, o governador fez questão de lembrar de números de investimentos feitos em Londrina na Universidade Estadual (UEL) e pela Sanepar, nesses últimos três anos do atual mandato. Adiante, porém, centrou foco novamente no assunto saneamento.
''Bata duro, Nedson, seja firme contra essa verdadeira ação de quadrilha que quer privatizar a água em Londrina. Lucrar com esse tipo de medida é uma canalhice absoluta, e eu não tenho dúvida de que atrás de um processo de privatização existe de forma franca e aberta a corrupção'', recomendou, para depois fazer uma ressalva: ''Não posso imaginar uma canalhice dessas, ou, para utilizar uma linguagem pentecostal, um 'pecado maior'. A água é dom de Deus, não objeto de lucro de grupos locais ou internacionais. Esse não é (assunto) para o o seu PT, mas o do (Antonio) Palocci (ministro da Fazenda)'', completou o peemedebista, lembrando do desafeto.
Após o evento no Igapó, a comitiva prefeito-governador seguiu para o Instituto do Câncer de Londrina (ICL), onde Requião e o secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Aldair Rizzi, assinaram o reapasse de R$ 1,5 milhão ao hospital para aparelhagem, além de R$ 100 mil mensais de custeio.
Segundo a reitora da UEL, Lygia Pupatto, a verba será repassada primeiramente à universidade, para que lá seja feito o pregão eletrônico de compra dos equipamentos de modernização do ICL. O presidente do Instituto, Nelson Dequech, elogiou a iniciativa, explicou que ela auxiliará a estruturação do Programa de Modernização Tecnológica da Unidade de Tratamento Intensivo, do Centro Cirúrgico e do Setor de Medicina Nuclear do ICL, mas lembrou que a ação de voluntários ainda se faz necessária ante um déficit de cerca de R$ 200 mil mensais.


