O senador Roberto Requião (PMDB) usou ontem a tribuna do Senado para criticar o pacote fiscal. Adversário político do presidente Fernando Henrique, o senador, que apoiou a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em outubro, disse que as medidas anunciadas pelo governo servem para dar uma ‘maquiagem’ à real situação econômica do País. ‘‘A nossa situação é, com certeza, mais grave do que se anuncia’’, afirmou.
Inconformado com a reeleição do presidente, Requião disse que Fernando Henrique e sua equipe econômica não têm legitimidade para colocar em vigor um plano de ajuste. ‘‘Foi um estelionato eleitoral’’, acusou. ‘‘O presidente fundamentou toda a sua campanha eleitoral dizendo que iria acabar com o desemprego e todas as medidas anunciadas conduzem para o agravamento do problema do emprego.’’
O senador do PMDB criticou ainda a ‘‘falta de diálogo’’ para se fechar o pacote. ‘‘O (Pedro) Malan só vai à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) depois de editado o pacote. Que diálogo é esse?’’, questionou durante seu pronunciamento. Para Requião, as reformas priorizadas no Plano de Estabilização Fiscal - dentre as quais as da previdência, administrativa e tributária - ‘‘são superficiais e epidérmicas’’.
Requião concluiu seu discurso com uma proposta de formação de uma ampla frente de oposição para a discussão de um projeto nacional com empresários, economistas, sociólogos e políticos. O senador pediu ainda firmeza aos governadores eleitos. ‘‘Temos de acabar com essa política de extermínio implantada no Brasil por esse presidente’’, afirmou. ‘‘FHC não pode esquecer que não recebeu do povo brasileiro um cheque em branco.’’ (L.D)

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