Curitiba - André Vargas, que não estava no evento, disse em entrevista à Folha por telefone que divergências de opinião são normais e que no caso da CPI do Pedágio, em questão, em nenhum momento os deputados da comissão defenderam qualquer coisa ilegal, para favorecer as concessionárias. ''Sou mais moderado nesta questão de rompimento com as concessionárias, porque tenho receio de indenizações milionárias'', declarou o dirigente petista.
''Continuo acreditando que o debate democrático e aberto é o melhor processo para aperfeiçoarmos a nossa aliança, aqui no Estado. Estranho seria se um partido como o PT não tivesse alguma crítica ao governo, até porque a crítica e a autocrítica são formas de avanço'', declarou Vargas em nota oficial distribuída no final da tarde aos jornais.
O chefe da Casa Civil, Caíto Quintana, responsável pela articulação, apressou-se na tentativa de evitar estragos na base aliada. Quintana disse através de sua assessoria ontem que Requião tem um apreço ''muito grande'' pelo apoio de seus aliados, e lembrou que o líder do governo na Assembléia é um petista: Angelo Vanhoni. Quintana disse que eventuais manifestações, como nesse caso, são discordâncias naturais.
O secretário de Estado do Emprego, Trabalho e Promoção Social, Padre Roque Zimmermann, também filiado ao PT, saiu em defesa de Requião. ''Quem está errado é o André (Vargas). Os contratos com as concessionárias são irregulares. A gente acha numa CPI aquilo que a gente quer achar. Estou escolado em CPIs'', declarou.
O deputado estadual Natálio Stica (PT), que estava no evento do Fome Zero como presidente interino da Assembléia Legislativa, fez um desagravo contra o pronunciamento de Requião, durante a entrevista coletiva. ''Não podemos admitir que o nosso partido seja colocado em dúvida. O governador está preocupado com sua base de apoio e eu entendo isso. Agora, ele não pode dizer isso contra o PT que foi responsável pela vitória dele ao governo do Estado.''
Entre os dias 31 de julho e 1º de agosto, o PT estadual vai fazer um seminário para discutir o apoio ao governo Requião. ''Não vamos discutir cargos. Queremos ser tratados como parceiros. O governador é um general que não pode subir para o combate sozinho. Ele tem que consultar seus exércitos. Vamos definir estratégias para subir com ele para o combate. Temos que discutir isso'', disse Stica.
A Folha pediu entrevista ao senador Aloizio Mercadante ontem, mas não foi possível. Segundo sua assessoria, o senador estava envolvido em votações no Congresso e em articulações políticas envolvendo a reforma da previdência.(L.P. e L.D.)

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