Para procurador, busca foi legal
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sexta-feira, 24 de junho de 2016
Das agências 
São Paulo - O Ministério Público Federal (MPF) rechaçou ontem a ofensiva de políticos que se solidarizaram à senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) e criticaram as buscas da Operação Custo Brasil no apartamento funcional da petista, em Brasília - o alvo da missão foi o marido de Gleisi, o ex-ministro do Planejamento e Comunicações Paulo Bernardo (Governos Lula e Dilma), preso ontem em Brasília.
"Ele (Bernardo) não detém foro por função, ele não tem cargo político, portanto a medida (buscas) recaiu exclusivamente sobre ele e sobre documentos pertinentes a ele apenas", declarou o procurador da República Rodrigo de Grandis, que integra a força-tarefa da Custo Brasil.
O procurador anotou que a senadora é investigada no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF) em outro caso que, portanto, "escapa da competência do juízo de São Paulo". "Ou seja, se cumpriu de forma clara a Constituição e a lei".
REPERCUSSÃO
O Senado protocolou ontem reclamação no STF contra o juiz de primeira instância Paulo Bueno de Azevedo, da 6.ª Vara Federal Criminal de São Paulo, que autorizou a prisão do ex-ministro e a realização de busca e apreensão no apartamento de Gleisi. Alguns senadores, da oposição e até da base do governo Temer, criticaram o que consideraram excessos da operação Custo Brasil.
Até mesmo o líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), classificou como "abuso" o fato de um juiz de primeiro grau ter autorizado as medidas. "Só quem poderia autorizar essa ação é o Supremo".
Um dos que considerou a operação legal foi o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), líder do governo Temer na Casa. "A imunidade é da senadora e não se comunica ao marido nem ao local em que eles vivem".
Um dia após a prisão de seu marido, a senadora não compareceu à comissão especial do impeachment no Senado ontem. Ela deverá retomar os trabalhos normalmente na próxima semana.
AUDIÊNCIA
Ontem, advogados de Paulo Bernardo apresentaram a defesa técnica do ex-ministro em audiência de custódia. Em nota, o escritório de advocacia disseram ter demonstrado "a completa desnecessidade da medida extrema que foi decretada em desfavor de Paulo Bernardo". "Foi evidenciada a ausência de qualquer vinculação entre o ex-Ministro e os fatos investigados. Também foi comprovado que não houve qualquer repasse de valores financeiros a Paulo Bernardo por parte de qualquer um dos investigados".
Apesar disso, o juiz federal manteve a prisão preventiva e "adiantou que reavaliará o seu posicionamento após a oitiva do Sr. Guilherme Gonçalves, que deve ocorrer na segunda-feira".Gonçalves é advogado de Gleisi e Bernardo e teve a prisão decretada. Como estava em viagem internacional, não foi detido.


