Para procurador, atuação da Telepar é condenável
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terça-feira, 15 de maio de 2001
De Curitiba 
O procurador-chefe da Promotoria de Investigações Criminais (PIC), Dartagnan Abilhôa, que acompanha as investigações da CPI da Telefonia da Assembléia Legislativa, disse ontem que a situação da Telepar Brasil Telecom está mais complicada. A avaliação foi feita depois do depoimento da ex-secretária da Administração Maria Elisa Paciornik à comissão, que apura denúncias de escutas telefônicas ilegais no governo do Estado e em comitês eleitorais.
A Telepar descobriu o grampo no telefone da ex-secretária mas o retirou prontamente, impossibilitando que a polícia fizesse um flagrante, disse. Segundo ele, o responsável pela varredura, Jefferson Martins Storrer (ex-funcionário da Telepar e free lancer da Defense, empresa de assessoria e consultoria em segurança de propriedade de outro ex-funcionário da Telepar, Edgar Fontoura Filho), fotografou apenas a distribuição geral, sem ter registrado a ponta final da escuta, que estava em um escritório de advocacia nas proximidades da secretaria. Agora vai ser um trabalho de oráculo descobir quem fez o grampo, reclamou Abilhôa. O presidente da CPI, Tony Garcia (PPB), disse que no mínimo houve negligência da Telepar.
O gerente jurídico da Telepar, Sérgio Vosgerau, já explicou à Folha que no caso da ex-secretária foi detectado apenas a existência de fio paralelo. Nesse caso, seria natural que o fio tivesse sido colocado dentro da empresa, como foi relatado à CPI pelo ex-funcionário Edgar Fontoura Filho.
Maria Elisa, que ocupou a pasta de janeiro de 1999 a julho de 2000 repetiu o depoimento que prestou anteontem à Comissão Especial montada pelo Palácio Iguaçu para apurar denúncias de grampos em prédios públicos. Disse que começou a desconfiar que foi grampeada quando assuntos de estrito conhecimento de seu gabinete apareceram na imprensa. Pediu varredura e a escuta foi constatada. O inquérito sigiloso está sendo investigado pelo 3º Distrito Policial, em Curitiba.
A ex-secretária disse que não sabe quem teria sido o mandante do grampo. Disse que desagradou a gregos e troianos porque sua meta era cortar 20% das despesas de custeio da pasta. Para isso, renegociou todos os contratos do governo, incluindo de aluguéis de imóveis e de softwares. Maria Elisa afirmou que não tinha atritos relevantes com o secretariado em geral, mas confirmou que teve uma série de rusgas com o ex-secretário de Fazenda, Giovani Gionédis. Nós batíamos de frente porque temos metodologias de trabalho diferentes. Mas as discussões eram apenas profissionais. Pessoalmente, não tenho nada contra ele, declarou, Maria Elisa negou que teria insinuado que o ex-secretário da Fazenda seria o responsável pelo grampo em seu gabinete. A CPI vai chamar Sérgio Vosgerau para das explicações. Gionédis também deverá ser ouvido. (M.D.)


