Questionado sobre a avalanche de críticas do londrinense sobre a presença cada vez mais constante de camelôs nas vias públicas do Centro da cidade, o prefeito Nedson Micheleti (PT) defendeu ontem que o problema não é do camelô, mas de quem fabrica o produto pirata; o problema não é de fiscalização, pois a pirataria é vendida, acredita ele, também no comércio formal. As declarações foram recebidas com revolta pela Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil).
A hipótese defendida pelo prefeito veio em resposta às críticas de comerciantes de Londrina que têm reclamado da concorrência desleal frente à pirataria. Nos últimos meses, foram comuns casos de microempresários que fecharam locadoras, lojas de CDs e DVDs e artigos para presente sob o mesmo argumento: pagando-se os impostos, é impossível concorrer com quem não paga e derruba o preço da mercadoria. Só semana passada, foram dois casos relatados pela FOLHA.
Para Nedson, a fiscalização da CMTU em parceria com a Polícia Militar é suficiente e, portanto, não carece de incremento - as apreensões necessárias ''estão sendo feitas''. Qual o conselho para o comerciante que se sente ameaçado? ''Alguns deles são afetados, e não por causa do camelô, mas pela indústria que produz a pirataria. E esse tipo de produto se vende forma geral: se for feita uma busca, o fiscal teria que ir em todo o comércio. Isso é lógico'', acusou.
O presidente da Acil, Rubens Augusto, considerou as declarações do prefeito ''infelizes, preocupantes e temerárias''. Na avaliação do empresário, isso pode incentivar a prática. ''Se for verdade o que ele diz, que mande fiscalizar, pois damos apoio. O que não pode é um prefeito afirmar isso: é como se apoiasse a informalidade da pequena empresa, além de denegrir a seriedade e a legalidade do comércio londrinense. Caso contrário, vamos virar uma Cidade do Leste (Paraguai) logo, por incentivo dele'', criticou. (J.G.)

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