Brasília - O Diretório Nacional do PT vai aprovar hoje uma resolução política recomendando às seções estaduais do partido que evitem prévias para a escolha de candidatos aos governos e ao Senado. A ideia era proibir com todas as letras as prévias, sob o argumento de que uma guerra interna entre petistas pode respingar na campanha presidencial da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. A tendência, porém, é adotar agora uma solução de meio termo, sem vetar a prévia no papel, mas agindo nos bastidores para desidratá-la.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva garantiu à cúpula do PT que atuará para impedir uma disputa fratricida entre pré-candidatos petistas ao Senado no Rio de Janeiro, em Pernambuco e no Mato Grosso. ''Prévia não tem sentido neste momento, mas respeito qualquer decisão'', afirmou o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias. Se não houver acordo, Lindberg terá de enfrentar a secretária de Ação Social do governo fluminense, Benedita da Silva, que também está de olho na vaga ao Senado.
O estatuto do PT determina a realização de prévia, com voto dos filiados, quando houver mais de um postulante ao mesmo cargo majoritário. Trata-se de tradicional mecanismo de escolha no partido. Mas, na tentativa de evitar embaraços para a campanha de Dilma, o Diretório Nacional do PT prega acordo entre os pré-candidatos nos encontros estaduais, que começam neste mês e devem ser esticados até junho, para a definição da política eleitoral e da tática de alianças.
No Distrito Federal, o escândalo do mensalão envolvendo o governador José Roberto Arruda (ex-DEM) animou ainda mais as correntes do PT. O deputado Geraldo Magela (PT-DF) e o diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Agnelo Queiroz, já se inscreveram para disputar prévia no próximo dia 21, com o objetivo de garantir a indicação do partido na corrida pela cadeira de Arruda.
''Eu não acho que as prévias possam causar constrangimentos à campanha da ministra Dilma. Isso é excesso de zelo'', afirmou o ex-ministro da Saúde, Humberto Costa.
Atual secretário das Cidades do governo de Pernambuco, Costa admite a possibilidade de enfrentar o ex-prefeito do Recife João Paulo Lima e Silva, que também deseja concorrer ao Senado.
Em São Paulo, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) também não abre mão de disputar prévia para o governo paulista, mesmo se o PT não tiver chapa própria. Até agora, o partido está refém do deputado Ciro Gomes (PSB-CE), que pretende concorrer à sucessão de Lula, mas, a pedido do presidente, pode ser candidato ao Palácio dos Bandeirantes. Enquanto espera a decisão de Ciro, o PT deixou o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) de ''stand-by''.

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