Para PMDB, Temer se encaixa no perfil de vice
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domingo, 31 de janeiro de 2010
Christiane Samarco<BR> Agência Estado 
Brasília - Vai além do posto de vice o interesse da cúpula do PMDB em emplacar o presidente do partido, deputado Michel Temer (SP), na chapa presidencial do PT. Empenhados em construir um projeto de poder em um eventual governo Dilma Rousseff, peemedebistas querem um vice com força política para atender a dois objetivos: ''proteger'' o partido nas disputas com o PT e aliados na campanha eleitoral e garantir um quinhão privilegiado de poder no núcleo palaciano do futuro governo.
Temer alega ser candidato a deputado, que não tem ''obsessão'' para ser vice do PT, e avisa: ''O PMDB fará sua escolha, mas não à revelia da candidata.'' Assim, sinaliza que não tem a pretensão de impor seu nome em cenário de resistência do PT, do presidente Lula e da própria Dilma. Mas é consenso na cúpula partidária que o perfil de vice para atender aos peemedebistas veste perfeitamente o figurino de Temer. Ele é o único que representa o partido, colocando sobre a mesa de negociações a força política do conjunto do PMDB. É um constitucionalista de traço conciliador, com bom trânsito no Congresso.
A composição da chapa também passa pelo acordo político entre petistas e peemedebistas nos Estados. Temer tem dito que, se não houver ''ajustamento'', será difícil fazer a aliança.
O líder do PMDB na Câmara, Henrique Alves (RN), admite que é preciso lidar com vários PTs, quando o assunto é vaga de vice. Uma ala quer acordo mais à esquerda, com o PSB e PC do B. Outro grupo, que inclui o presidente Lula, prefere compor com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, para dar mais estabilidade à chapa. ''Mas o conjunto do PT, que venceu a eleição interna com quase 70% dos votos, vai acatar a decisão do PMDB.''
O que mais incomoda os peemedebistas é a constatação de que o grupo que ''cerca'' a candidata Dilma é mais radical do que o entorno de Lula. Alves entende que Temer também é o ''vice ideal'' do ponto de vista do PT, quando a candidata, diferentemente de Lula e do tucano Fernando Henrique Cardoso, não tem experiência política nem parlamentar. ''O Michel ajudaria muito, por ser homem do Legislativo. Quem melhor do que ele para debater os projetos de interesse do governo com o Congresso?'', questiona o líder. É essa possibilidade de o PMDB ocupar o espaço de principal interlocutor com o Congresso e ganhar força no núcleo de poder de um eventual governo Dilma que preocupa o PT.


