Na cela da PF, Paolicchi não poderá usar telefone celular ou equipamentos eletrônicos, como um aparelho móvel de ar condicionado que ele costumava ter no BPM. Segundo a PF, a cela não dispõe de tomadas. Para Paolicchi, será permitido apenas receber um jornal e uma revista custeados por ele mesmo.
O comando do 4º BPM não concedeu entrevistas e informou apenas que foi um ''alívio'' a transferência. Policiais ligados ao comando disseram à Folha que a situação já estava insustentável. ''O comandante não tinha mais explicações para as regalias do Paolicchi aqui dentro do batalhão e na cidade a boataria sobre as benesses eram correntes e a maioria verdadeiras'', afirmou um policial, que pediu para não ser identificado.
Segundo denúncias dirigidas ao Ministério Público Estadual, o ex-secretário já estaria ingerindo na hierarquia militar e até bancando a compra de eletrodomésticos e reformas no comando. Parecer do Ministério Público Federal consta ''ocorrência de infrações administrativas e disciplinares'' em razão da permanência do ex-secretário no batalhão.
Em dezembro de 2001, quando Paolicchi completou um ano de prisão, a Folha constatou uma série de regalias, como o uso da academia do batalhão, liberdade excessiva nas visitas e a presença de professores para aulas particulares. Além disso, a área em torno do batalhão era monitorada para evitar a presença, principalmente, de jornalistas. Por meio de uma série de entrevistas, a Folha constatou que a prisão do ex-secretário não o impedia inclusive de gerir negócios.
Nas duas administrações municipais em que atuou como diretor e secretário, Paolicchi é apontado como responsável por desvios que ultrapassam R$ 100 milhões. Durante o tempo em que permaneceu na Secretaria de Fazenda, Paolicchi amealhou diversos bens como imóveis, fazendas, carros importados e uma mineradora.
O advogado do ex-secretário, Moisés Zanardi, disse que viu com ''naturalidade'' a transferência de seu cliente.

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