Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acusou ontem o presidente Fernando Henrique Cardoso de, com sua política agrícola, ter feito mais pela Argentina ‘‘que a União Soviética fez por Cuba’’. Segundo Lula, o comércio com o Brasil permitiu à Argentina um superávit comercial de US$ 1,4 bilhão anual. ‘‘O produtor brasileiro está quebrando, em benefício do produtor argentino e uruguaio’’, acusou. Lula disse que o Brasil, que já foi auto-suficiente em arroz, feijão e milho e já produziu 90% do trigo que consome, hoje compra esses grãos no exterior.
‘‘Importamos feijão do México, arroz do Canadá, do Vietnã e dos Estados Unidos’’, afirmou o candidato, após um encontro com o presidente da Associação Brasileira de Imprensa, Barbosa Lima Sobrinho. ‘‘A Argentina, cinco anos atrás, produzia 40 milhões de toneladas de grãos, hoje está produzindo 63 milhões’’, disse. ‘‘O Brasil, cinco anos atrás, produzia 80 milhões, hoje produz 78... Se acompanhássemos a Argentina, estaríamos produzindo aproximadamente 120 milhões de toneladas anuais. É por isso que o (Carlos) Menem (presidente argentino) quer que ele se reeleja.’’
Lula lançou ontem o esboço de seu programa para a educação na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio. Ele prometeu criar 7,3 milhões de vagas para estudantes da pré-escola ao ensino superior. Criticou o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, acusando-o de não ter interesse em alfabetizar adultos. ‘‘O Paulo Renato parte do pressusposto de que alfabetizar adulto é jogar dinheiro fora. Para nós nunca será.’’ Lula acusou o presidente Fernando Henrique de copiar o programa do PT na área da educação.
No esboço, que ainda será discutido pelos partidos que compõem a aliança de oposição, Lula promete alfabetizar em quatro anos 5 milhões de alunos e, no primeiro grau regular de jovens e adultos, mais 5 milhões. Ele promete destinar mais verbas para a educação.
O candidato das esquerdas repetiu algumas críticas feitas por seu candidato a vice-presidente, Leonel Brizola (PDT), que reclamara que empresas estão contribuindo apenas com a campanha de Fernando Henrique. O petista afirmou que o governo está em óbvia vantagem quando busca recursos financeiros. ‘‘Ainda mais quando coloca como coordenador de finanças o Andrea Matarazzo, que foi o homem das privatizações’’, atacou. ‘‘Um cidadão ficou vendendo empresas em São Paulo o tempo inteiro e, depois que vende todas, vai ser coordenador de campanha do presidente?’’ (AE)

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