Para pesquisadores, impeachment passa a punir crimes antes ignorados
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segunda-feira, 18 de abril de 2016
Daniel Buarque<br>Folhapress 
São Paulo - O argumento de que as pedaladas fiscais, usadas como justificativa para a abertura do processo de impeachment de Dilma Rousseff, já haviam sido usadas por governos anteriores não diminui a necessidade de punir o governo pela infração. A avaliação é de dois analistas estrangeiros que estão acompanhando a crise política brasileira, e que rejeitam a ideia de que o impedimento da presidente seja uma ameaça à democracia. "Se o impeachment for feito de forma metódica e legal, é parte do sistema e não vai afetar a democracia brasileira", disse Shannon K O'Neil, pesquisadora sênior de estudos latino-americanos do Council of Foreign Relations, nos Estados Unidos. Segundo ela, o impedimento pode parecer uma punição radical demais, uma vez que o mecanismo das pedaladas já havia sido cometidos por governos anteriores, mas, o que Dilma fez é ilegal, e o impeachment pode ser justificado. "O que importa é que a lei precisa ser seguida, mesmo que outros tenham feito o mesmo no passado." A decisão por seguir a lei, independente do que ocorreu no passado, também é correta para Michael Shifter, presidente da Inter-American Dialogue, think tank norte-americano com foco em estudos relacionados à América Latina. Segundo o pesquisador, a justificativa de que as pedaladas já haviam sido usadas por outros presidentes não se sustenta. "Os tempos estão mudando. O que era ignorado no passado pode ser considerado hoje como um crime", explicou.


