Para Pavan, críticas são apressadas
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segunda-feira, 11 de setembro de 2000
Pedro Livoratti e Lúcio Horta De Londrina 
O diretor-presidente da Sercomtel, Rubens Pavan, classificou de apressadas as declarações do secretário municipal de Fazenda, Francisco Simões, de que a negociação entre a telefônica e a Copel, no item que transfere dívidas da Sercomtel para o município, foi imoral e ilegal. Segundo Pavan, o contrato, já em poder do Ministério Público (MP), prevê equilíbrio entre as partes e é semelhante aos acordos firmados entre outras telefônicas que se fundiram nos últimos anos.
Tenho apreço pelo secretário da Fazenda e não pretendo discutir, mas como presidente não posso aceitar que lance sobre a empresa uma responsabilidade que não é dela, afirmou Pavan, referindo-se às declarações feitas por Simões, de que a Sercomtel tem um débito R$ 17,6 milhões com o município, relativo ao Imposto Sobre Serviços (ISS).
De acordo com Pavan, sobre operações telefônicas incide o ICMS, que é um imposto estadual. Ele disse que a garantia é dada pela Constituição Federal. Segundo o presidente da Sercomtel, o argumento já foi inclusive encaminhado à prefeitura, em janeiro.
Pavan disse também que a transferência de 45% das ações da telefônica à Copel, feita em maio de 98, nunca foi segredo. Segundo informou, atendendo a solicitação da promotora Solange Vicentin, em maio deste ano, a empresa encaminhou cópia do contrato para análise pelo MP. O documento sobre a venda, segundo ele, foi enviado em 9 de junho. Mas, na semana passada, os promotores informaram que desconheciam detalhes do acordo.
Uma das cláusulas contratuais, por exemplo, estipula que o município deve assumir, a partir da venda de parte da Sercomtel para a Copel, ônus de possíveis ações judiciais. O comprador não é obrigado a aceitar dívidas fora do balanço, trata-se de um documento lícito e limpo. Dizer que é imoral é apressado, afirmou.
Esta semana, a prefeitura vai iniciar uma fiscalização na Copel e na Sanepar para saber se essas empresas têm ou não dívidas de ISS com o município. O anúncio foi feito ontem de manhã pelo secretário da Fazenda. Se estiverem devendo, vamos notificar. Essas grandes empresas nos preocupam porque estamos aqui há mais de um mês e não recebemos nada da Copel e Sanepar. E elas não estão sendo fiscalizadas, justificou Simões.
O levantamento deverá ser encaminhado hoje pelo secretário ao setor de fiscalização. Queremos começar pelas grandes, afirmou. A preocupação de Simões surgiu após a cobrança de uma dívida de ISS da Sercomtel, no período de janeiro de 96 (data da transformação da autarquia em sociedade anônima S/A) a maio de 98, inicialmente no valor de R$ 3,6 milhões mas que, com a incidência de multas, alcançava R$ 17,6 milhões.
Uma das justificativas para o não pagamento apresentando pela telefônica foi um acordo feito com o município. O documento, considerado imoral por Simões e mantido sob sigilo até a semana passada, prevê no seu item 10.6 que o município assume desde já qualquer ônus de ação trabalhista, previdenciária, tributária, cível ou de qualquer outra natureza que não esteja provisionado em acordo da Sercomtel ou que exceda o valor provisionado nas demonstrações financeiras de 31/12/97.


