Brasílila Ao saber da proposta de antecipação do Encontro Nacional do PT, o ministro da Fazenda, Antônio Palocci Filho, disse que é favorável a grandes debates no partido. ''Mas não precisamos nos apressar nem forçar posições'', argumentou. ''Política não é leite. Não deve ser pasteurizada.''
A aparente dualidade do PT é vista pelo ministro como ''construtiva''. Na sua opinião, os radicais contribuem com o debate. ''Eu já estive nessas fileiras'', afirmou, ao lembrar que foi um trotskista da facção O Trabalho, hoje uma de suas mais ferozes adversárias no ''front'' interno.
Apesar da chiadeira dos rebeldes, o PT aprovou há uma semana uma resolução favorável à política econômica do governo. ''É a terceira vez que isso acontece'', destacou o ministro.
Palocci contou que, no começo deste ano, conversou com muitos investidores assustados. ''Eles viam com muito espanto quando tinha uma pessoa do PT falando uma coisa diferente do governo. Mas eu avisei: 'Olha, podem se acostumar.' O PT é pura emoção nesse aspecto. Mas, por outro lado, é um partido ordenado, que tem disciplina e segue seus regimentos.''
Apaziguar a legenda depois do expurgo dos radicais não está entre as preocupações de Palocci. ''Debater para ampliar a unidade é bom, mas vamos ter cuidado para não pasteurizar o processo político'', insistiu.
Filiado ao PT desde a sua fundação, em 1980, Palocci já comprou muitas brigas com o partido quando foi prefeito de Ribeirão Preto (1993 a 1996) e vendeu ações da companhia telefônica. Fala, por isso, com conhecimento de causa dos dois lados. ''O partido tolera o contraditório, mas não acha correto o rompimento'', observou. E concluiu: ''Eu não torço para que o PT reduza seus setores contraditórios. Eles fazem bem.''

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