Brasília - O acordo negociado pelo Palácio do Planalto para mudar a reforma da Previdência produziu profundas divisões no próprio governo e no PT. As alterações em estudo, em especial a garantia de aposentadoria integral para os servidores públicos, causou desconforto no ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e revolta nos petistas moderados que vinham se batendo no Congresso pela proposta original. Segundo auxiliares do governo, Palocci se encontrará com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na terça-feira, em Madri, e pretende dizer que as mudanças podem trazer incertezas quanto à consistência da reforma.
Avalia-se que pouco importa se os cálculos preliminares indicam que as alterações não terão impacto negativo na Previdência, pois o que está em jogo é um dos princípios da reforma, cuja modificação poderá gerar desdobramentos na condução da política econômica.
O temor é de que a eventual desfiguração da reforma crie um clima de desconfiança em relação à economia brasileira, colocando por terra a estabilidade. De público, porém, a equipe econômica mantém a cautela. Como o ministro do Planejamento, Guido Mantega, dizendo que ''não há recuo nem retrocesso''. ''Seria muita ambição imaginar que mandaríamos um projeto e ele sairia exatamente como foi apresentado.''

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