Para os que treinaram em Cuba, rigor e morte
Grampeado ao manual de interrogatório de preso político encontrou-se um questionário de seis páginas e 52 perguntas para o interrogatório de militantes com cursos de capacitação político-militar em Cuba. O documento é de 24 de julho de 1972, e tem, em todas as suas páginas, o carimbo e a rubrica da 2ª seção do Quartel General da 5ª Região Militar. Foi enviado ao delegado do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) do Paraná quatro dias depois de originado. As cópias também estão autenticadas com carimbo e rubrica do Arquivo Público do Paraná.
Por esse questionário, as autoridades pretendiam extrair em detalhes as informações sobre o treinamento de militantes da esquerda brasileira em Cuba, bem como de suas trajetórias de volta ao Brasil e respectivas ações. Em uma primeira parte, com 38 perguntas, o interrogatório procurava informações sobre a experiência vivida naquele país. Na segunda parte, as autoridades listaram 14 perguntas sobre o retorno dos militantes e suas ações posteriores no país. Nenhum preso submetido a esse interrogatório sobreviveu, de acordo com organizações de direitos humanos. A determinação era eliminar quem tivesse treinado em Cuba.
Na segunda parte do interrogatório, com 14 perguntas, o questionário procura informar-se sobre as atividades dos militantes após o seu retorno ao Brasil. Quando e porque resolveu retornar ao Brasil. Pedia uma descrição do itinerário de volta. Com quem voltou. Quando chegou, meios utilizados e autoridades cubanas ligadas ao seu regresso. Onde se instalou no Brasil. Que pontos trouxe. Que pontos deixou com companheiros que viriam depois. Quem eram esses companheiros. Se antes de chegar ao Brasil participou de algum movimento em outro país. Em que países e em quais organizações. Motivos de permanência em outros países. Quais seus primeiros contatos no Brasil. Onde foram. Qual era sua missão no Brasil. Que elementos de vida legal deveria procurar, para fins de apoio. Quem os passou. Que citasse todos.





