Crawford – A Casa Branca advertiu ontem que não se deve esperar que Israel retire seus militares dos territórios palestinos ‘‘de um dia para outro’’, em referência ao pedido feito quinta-feira pelo presidente George W. Bush para que o país deixe os territórios ocupados. O porta-voz de Bush, Ari Fleischer, disse que o presidende reconhece que, numa região mergulhada na violência há décadas, eventos importantes não ocorrem necessariamente de um dia para outro.
Bush pediu quinta-feira a Israel que detenha a invasão dos territórios palestinos e que se retire, e ordenou ao secretário de Estado, Colin Powell, viajar ao Oriente Médio para negociar um cessar-fogo. A viagem de Powell foi marcada para amanhã, mas o programa da visita ainda não foi divulgado pelo governo americano. As primeiras informações são de que o secretário de Estado não deverá se reunir com o líder palestino, Yasser Arafat, que está isolado pelas forças de Israel em seu quartel-general, em Ramallah.
As investidas israelenses nos territórios ocupados foram mantidas ontem. Em Nablus, na Cisjordânia, pelo menos 17 palestinos morreram desde a madrugada de ontem, em choques com forças de Israel. Dunia Sawafta, uma adolescente palestina de 14 anos, foi morta a rajadas de metralhadora na aldeia de Tubas.
Tanques e helicópteros atacaram vários pontos do centro histórico de Naplusa – a cidade mais importante de Cisjordândia –, onde estão entrincheirados centenas de ativistas palestinos. Moradores da região estão isolados, sem energia elétrica e água. Israel adotou toque de recolher e proibiu até que ambulâncias circulem pela área.
Mártir – O líder e fundador das Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa, grupo armado ligado ao Al Fatah, de Yasser Arafat, matou-se ontem à noite, ao detonar uma carga explosiva que levava consigo, no meio de militares israelenses, em Nablus, informou à AFP um alto dirigente palestino em Gaza. Nasser Oweiss, comandante das Brigadas para a Cisjordânia, matou-se no bairro de Ras el-Ain.
Fronteira – Guerrilheiros do Hizbollah atacaram ontem diversas posições israelenses em uma área disputada de fronteira, disseram testemunhas. O Hizbollah é um grupo considerado terrorista pelos Estados Unidos, mas legalizado no Líbano, onde é um dos principais partidos políticos e cuja guerrilha foi fundamental para forçar as tropas israelenses a abandonar o sul do país.
Segundo testemunhas, os guerrilheiros, apoiados pela Síria e pelo Líbano, lançaram foguetes e mísseis antitanques contra posições israelenses na área das Fazendas de Chebaa perto da fronteira entre o Líbano, Israel e as Colinas do Golã, território ocupado por israelenses.

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