Para oposição, presença de ministra é 'uso da máquina'
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terça-feira, 16 de março de 2010
Gabriela Guerreiro<br>Folhapress 
Brasília - A oposição reagiu ontem à possibilidade de a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) participar de eventos do governo federal mesmo após deixar o cargo, no início de abril. Para líderes oposicionistas, a presença de Dilma em palanques do presidente Luiz Inácio Lula da Silva depois que ela sair do governo federal configura campanha eleitoral antecipada.
''É a digital do uso do governo em benefício da sua candidatura. O governador José Serra seria convidado para esses eventos? Ficará ainda mais explícito o uso da máquina, com a ministra de paraquedas em um evento do governo'', disse o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN).
Para o senador Alvaro Dias (PSDB-PR), Dilma pode até participar de eventos do governo como convidada, mas desde que não haja nenhuma menção ao seu nome durante os atos governamentais. ''Ela assistir ao evento é uma coisa. Ela participar ao lado do presidente é outra. Aí se configura ato eleitoral. Se ela for nominada pelo presidente Lula durante a cerimônia, aí é campanha indevida'', disse o tucano.
Alvaro afirmou que a oposição ficará em ''alerta'' para identificar eventual uso da máquina na campanha da ministra. ''Teremos que ficar atentos. O presidente acaba enchendo a bola da ministra, dá crédito a ela. Aí vai depender também do que for dito no discurso'', afirmou o tucano.
Em defesa de Dilma, o líder do governo na Câmara, Cândido Vacarezza (PT-SP), classificou de ''bizantina'' a discussão sobre a eventual presença da ministra em atos do governo futuramente - uma vez que isso ainda não ocorreu. Na opinião do petista, Dilma como cidadã comum tem ''todo o direito'' de participar de atos do governo como convidada.
''Depois que a ministra sair do governo, ela será uma cidadã comum. Não terá assento de ministro em nenhuma cerimônia. Mas qualquer pessoa pode participar de um ato como cidadão comum. A oposição já está preocupada com isso? Campanha só pode ser feita em julho'', afirmou.
A polêmica teve início depois que o advogado-geral da União, Luis Inácio Adams, declarou hoje que Dilma pode participar de atos do governo até o registro da candidatura - já que depois de 3 de abril não terá cargo no Executivo. O prazo para o registro de canditatura termina no dia 5 de julho.
A legislação eleitoral veda a presença de candidatos em eventos públicos do Executivo no período de campanha (três meses antes das eleições).


