Brasília - A oposição reagiu ontem com críticas ácidas à entrevista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao programa ''Roda Viva'', da TV Cultura. ''Patético'', ''mentiroso'' e ''medroso'' foram alguns dos adjetivos usados pelos líderes dos partidos oposicionistas ao desempenho de Lula. No papel deles, os líderes governistas defenderam-no. ''As respostas que vi foram a peça perfeita e acabada da insinceridade'', disse o líder do PFL no Senado, José Agripino Maia (RN). ''O presidente Lula desconhece a lei. Disse que a ameaça do PFL de pedir o impeachment é hilariante. Lula não sabe que um partido político não pode pedir o impeachment do presidente.''
O líder da minoria no Senado, José Jorge (PFL-PE), disse que, se algo não for feito, nada mudará na eleição de 2006: ''Pelo que disse o presidente, eles estão dispostos a repetir tudo o que fizeram. É preciso dar um basta no caixa dois.'' Mais violento nas palavras, o líder do PSDB na Casa, Arthur Virgílio (AM), avaliou que a entrevista de Lula foi ''patética''. Virgílio afirmou que ele ''rebaixou a majestade presidencial porque bateu boca com os entrevistadores e, para piorar, foi desmentido por eles''.
Para o líder do PSDB no Senado, Lula ''mentiu por várias vezes''. Numa delas, segundo Virgílio, quando falou do caixa dois das campanhas eleitorais. ''O presidente Lula mentiu quando disse que nada sabia de caixa dois porque ele havia admitido o caixa dois, durante a entrevista que concedeu na França (à jornalista brasileira Melissa Monteiro, em julho, em Paris, durante os festejos do Ano do Brasil na França), considerando-o uma prática corriqueira'', atacou. Virgílio afirmou ainda que o presidente tem ''medo da imprensa porque seu temperamento não é democrático''.
O presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Roberto Busato, disse que os comentários de Lula sobre a crise política foram inaceitáveis e mostra que o presidente está ''completamente desligado da realidade''. ''O presidente precisa dizer quem foram os traidores, precisa deixar de ser autista'', afirmou. ''Se não existe 'mensalão', não existe Roberto Jefferson nem Marcos Valério'', acrescentou.
A presidente nacional do Psol, senadora Heloisa Helena (AL), disse que não faria comentários sobre a entrevista do presidente. Heloisa preferiu comparar Lula a Dirceu. ''A diferença é que o Dirceu olha para os seus olhos e diz que vai matá-lo. O presidente, não; ele dá tapinhas nas costas, mas no fundo está destilando bílis'', afirmou.

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