Curitiba - O líder da oposição na Assembleia Legislativa (AL), Ênio Verri (PT), disse, ontem, que o Governo do Estado praticou a exclusão e a concentração nos seus primeiros 100 dias. O petista se antecipou ao governador Beto Richa (PSDB), que deve apresentar uma avaliação do início de governo nos próximos dias. Para o parlamentar, o Executivo fez pouco no período, mas já demonstrou qual será estilo de governar.
Como exemplos de ações ''excludentes'', Verri cita fatos ligados à área da Educação. ''Até agora as crianças estão sem leite nas escolas. A Secretaria de Educação determinou que cada sala de aula tenha no mínimo 40 alunos e ainda não contratou os professores para o programa 'Segundo Tempo'. O PSS (Processo Seletivo Seriado) até agora não foi resolvido e os 26% de aumento para os professores, uma proposta de campanha do governador, não devem sair tão cedo.''
Na opinião do líder da oposição, o Governo do Estado apresentou políticas de concentração, como no programa Paraná Competitivo. ''É um programa que não busca espalhar os investimentos nas diversas regiões do Estado. As empresas vão acabar concentradas na faixa entre Paranaguá e Ponta Grossa, e eventualmente em Londrina e Maringá. Não há incentivo para a empresa se instalar no interior, assim como no governo de Jaime Lerner.''
Ele avaliou também a moratória, que completou 90 dias no último dia 03. Embora classifique como uma medida normal para governos de oposição que assumem, para Verri, a suspensão de pagamentos foi feita sem critérios. ''Foram interrompidas grandes obras, até justificadas, mas também foi parada a reforma do postinho de saúde que faltava só R$ 20 mil para concluir.''
A FOLHA procurou a assessoria de imprensa do governador que preferiu não se manifestar sobre as críticas do parlamentar e informou que um balanço das ações e números dos primeiros 100 dias de governo será divulgado nos próximos dias.
O líder da situação na Assembleia Legislativa, Ademar Traiano (PSDB), disse que preferia aguardar a manifestação do Executivo. Até ontem, apenas duas mensagens do governador tinham chegado à Casa de Leis. O pacote de projetos do governo, anunciado no início de março por Traiano, só deve ser encaminhado ao Legislativo após o fechamento dos 100 primeiros dias.

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