Para OAB, uso de celular por Paolicchi é imoral
PUBLICAÇÃO
sábado, 13 de janeiro de 2001
Marta Medeiros Especial para a Folha De Maringá 
O Movimento pela Ética e Defesa do Patrimônio Público de Maringá teme que o uso de celular pelo ex-secretário de Fazenda Luis Antônio Paolicchi possa implicar prejuízo ao processo. Já a OAB considera imoral a utilização. Paolicchi é acusado de formação de quadrilha, peculato, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal em processo pela Justiça Federal. Ele está preso desde o dia 8 de dezembro em uma cela reservada no 4º Batalhão da Polícia Militar.
Segundo o coordenador do movimento, Alberto Abrão Wagner da Rocha, o celular pode inclusive permitir a coação de testemunhas. O próprio Paolicchi pode ser coagido estando ao telefone, completou Rocha. Para a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Maringá, o uso de celular pode até ser legal mas é completamente imoral. Conforme Rocha, a Polícia Militar deve proibir o uso de telefone por Paolicchi para preservar as investigações do processo. Não vejo direito a esta regalia (celular), acrescentou.
Coordenadores de entidades ligadas a movimentos sociais e de direitos humanos de Maringá também afirmaram ontem que o tratamento dispensado ao ex-secretário pela Polícia Militar está sendo desigual em relação a outros presos e vai contra princípios éticos e morais.
A imprensa descobriu, na última quinta-feira, que o ex-secretário estava usando telefone celular na cela do 4º Batalhão da Polícia Militar (4º BPM). O comando havia informado, inclusive na quinta-feira, que o preso não usava celular e também não recebia nenhum tipo de regalia. Segundo a Justiça Federal, responsável pelo processo que levou Paolicchi à prisão, o Batalhão tem completa autonomia no tratamento ao ex-secretário e deve seguir as normas da lei da prisão especial em que nenhum artigo trata do uso de celular.
Em comunicado ontem para a imprensa, o comando do 4º BPM reafirmou que não há regalias e que apenas cumpre a lei. O comando disse desconhecer a informação de que Paolicchi usava celular na prisão e que se isso aconteceu foi por meio de visitas de seus advogados. Conforme a nota, o comando vai consultar a Justiça Federal com o objetivo de formalizar uma autorização para que os advogados portem seus aparelhos durante as visitas.


