O mapa da crise de caixa dos municípios do Paraná é negro quando se trata da indisponibilidade de dinheiro para pagamento de pessoal, mas apesar da choradeira geral, apresenta bom desempenho em outros campos. Um exemplo de saldo positivo é o número de prefeituras que se inscreveu para receber recursos externos do Paraná Urbano. Um levantamento da Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedu) mostrou que em 96, 77% - ou 296 dos 371 municípios que existiam no ano passado - conseguiram liberar recursos para obras com aval do Banco Central.
O Paraná Urbano prevê recursos de R$ 415 milhões para aplicação durante o período de governo de Jaime Lerner. Bancado na maior parte pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o programa liberou em 96 uma parcela de R$ 160 milhões. Desse valor, apenas R$ 32 milhões já foram efetivamente pagos. Outros R$ 68 milhões estão contratados e o restante diz respeito a projetos ou obras em fase de licitação ou análise.
Ao apontar o índice de municípios participantes do Paraná Urbano, o secretário do Desenvolvimento Urbano, Lubomir Ficinski, diz que ele revela que ‘‘a maioria dos municípios não está quebrada, como também apresenta boa capacidade de endividamento’’. Isto porque, o Banco Central só autoriza o financiamento do Paraná Urbano depois de confirmar que o município tem capacidade (fôlego) para se endividar mais.
A Sedu não revela a relação das 12 prefeituras que pediram financiamento para o Paraná Urbano, mas tiveram o processo indeferido pelo Banco Central. O argumento para o ‘segredo’ é o sigilo bancário. O levantamento também aponta que 52 prefeituras - nesse bolo estão incluídos os 28 municípios que passaram a existir a partir de 97 - ainda não se inscreveram para receber verbas do programa, por várias razões. Entre elas, sem dúvida, a certeza de que não seriam contempladas.

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