Curitiba - O governo do Estado e as concessionárias de pedágio abriram ontem um prazo de 180 dias de negociações. Durante o período, todos os cerca de 250 processos e atos administrativos envolvendo as questões do pedágio ficam suspensos. O objetivo é dar uma trégua na briga, encabeçada principalmente pela gestão anterior, de Roberto Requião (PMDB), para que os dois lados possam sentar para negociar.
Na pauta do governo do Estado, são três as principais reivindicações: redução da tarifa de pedágio, novos investimentos nas rodovias e antecipação de obras. Do outro lado, as empresas confirmam a abertura de negociações, mas não antecipam o que poderia ser pleiteado como contrapartida. Quem sinalizou pela possibilidade de prorrogação do contrato de pedágio - assinado em 1997 e válido até 2022 - foi o próprio governador do Estado, Beto Richa (PSDB). Em entrevista à imprensa ontem pela manhã, o tucano confirmou a hipótese.
''Não afasto esta possibilidade, porque milagre não existe. Ninguém vai baixar tarifa de pedágio, ninguém vai investir recursos vultosos na melhoria da infraestrutura das rodovias sem contrapartida. E acho que os usuários não se preocupam em quanto tempo tem o contrato de concessão. Eles querem saber se o preço é justo, acessível e, mais do que isso, se as rodovias oferecem segurança e o mínimo de infraestrutura para os usuários'', declarou ele.
Já no início da tarde, o secretário de Infraestrutura e Logística, José Richa Filho, confirmou que a prorrogação é ''um dos cenários'', mas reforçou que as negociações começaram agora. ''Num primeiro momento, suspendemos as ações, que não têm levado a nada. O cidadão merece mais respeito e agora queremos o caminho do diálogo. A prorrogação dos contratos é um cenário, mas ainda é cedo'', afirmou ele.
A maioria das ações protocoladas no Judiciário pela gestão anterior questionam o teor do contrato firmado com as empresas de pedágio. Questionado sobre o que achava do contrato original, o secretário respondeu que ''não havia segurança naquela época''. ''Hoje é uma nova realidade. Naquele ano o risco era alto, de inflação, de taxas altas'', disse ele.
O secretário explicou que as negociações com as empresas serão feitas individualmente: no Paraná, são seis lotes de pedágio. ''As demandas são diferentes, mas o ideal seria duplicar todo o anel viário'', afirmou ele. O secretário não entrou em detalhes. Ele citou apenas o problema do trânsito entre Campo Largo e Curitiba. ''A obra naquela região está prevista daqui uns dez anos. Enquanto que já tem previsão de obra entre Jaguariaíva e Piraí do Sul. Então uma possibilidade é trocar a prioridade. O contrato com as concessionárias foi assinado em 97, hoje a realidade é outra'', explicou ele.
Questionado se as empresas estão obedecendo o cronograma de obras, o secretário reconheceu que ''alguns investimentos, até pela falta de diálogo, foram postergados''. ''Desapropriações pequenas que deixaram de ser feitas pelo Estado, por exemplo'', justificou ele.

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