Para Nedson, Operação no Camelódromo foi 'equivocada'
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quinta-feira, 12 de julho de 2007
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Após reuniões com representantes do Shopping Popular e da Associação Comercial de Londrina (Acil), ontem, o prefeito Nedson Micheleti (PT) encerrou o dia convicto: a operação realizada de manhã pelas Polícias Militar (PM) e Federal (PF) e pela Receita Federal na ''Operação Capitão Gancho 2'' ''foi equivocada'' (leia cobertura em Cidades).
O prefeito conversou com a FOLHA à noite, minutos depois de ele atender no gabinete, a portas fechadas, um grupo de diretores e o presidente da Acil, Rubens Benedito Augusto. Horas antes, em nota publicada no site da Prefeitura, ele reclamou que a entidade ''poderia ter ajudado e trabalhado em conjunto'' com a administração a fim de regularizar a situação dos camelôs. Adiante, a nota avaliou que as denúncias da entidade ao Ministério Público Federal (MPF) e que motivaram a ação da Justiça teria, na verdade, colocado ''essas pessoas em risco'' além de exposto ''a imagem da cidade em todo o Brasil''.
Depois da reunião - solicitada no fim do dia pela Acil -, o chefe do Executivo reclamou do fato de todos os comerciantes do Shopping Popular terem sido abordados na operação, com apreensão de mercadorias para averiguação da Receita e da PF. Na opinião do prefeito, isso teria de ser feito ''individualmente''.
''Isso acontece em um momento em que o Governo Federal tenta legalizar a entrada de mercadorias dos sacoleiros, e muitos comerciantes ali tinham produtos legalizados'', afirmou Nedson. ''E são seis anos de trabalho da Prefeitura pela legalização dessas pessoas, inclusive com alvarás. São avanços. Mas a ação, a meu ver, foi equivocada'', ponderou, lembrando que o Shopping teve mais de R$ 1 milhão investidos pela Prefeitura, entre 2003 e 2004, cobrados depois em ação civil pública da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, que denunciou quebra da isonomia e livre-concorrência.
Para o petista, a ação das polícias e da Receita ''tem que ser focada em quem fabrica a pirataria''. Em seguida, atacou: ''E teriam que agir em todo o comércio, até no dito formal. A meu ver, lá também há produtos piratas - tanto que convidei a Acil a assinar um documento para que se investiguem todas as lojas, e a entidade não concordou'', concluiu.
A reportagem conversou com o presidente da Acil antes da entrevista com o prefeito. Na ocasião, ele admitiu que a entidade ''deu apoio total à operação'', além de destacar que, se quiserem ajuda da associação para se regularizarem, os comerciantes atingidos pela fiscalização ''terão total apoio''. ''Somos a favor de que a lei se aplique para todos, tanto que comércio formal periodicamente passa por fiscalizações'', resumiu.
Mais tarde, a assessoria de imprensa da Acil confirmou o pedido de assinatura de um documento proposto por Nedson, mas rebateu: ''Não tem sentido a Prefeitura pedir isso, pois a Acil defende que todos sejam fiscalizados''.
O delegado-chefe da Receita Federal em Londrina, Sérgio Nunes, evitou rebater as declarações do prefeito. Entretanto, declarou: ações como a de ontem ''são diárias, a imprensa nacional comprova isso''. ''O Estado brasileitro tem que combater pirataria, contrabando e descaminho porque são crimes que causam problemas sociais crônicos como desemprego'', observou.


