O procurador do Ministério Público do Paraná (MP), Wanderley Batista da Silva disse que a reforma agrária no Brasil é um festival de desacertos provocado por todas as partes envolvidas: governo, Incra, produtores rurais e sem-terra. ''Ao Incra falta infra-estrutura e competência e o governo não cumpre a lei que obriga a criação de especializadas em conflitos agrários desde 1988'', afirmou. ''Já os movimentos sociais carecem de legitimidade porque não têm personalidade jurídica. Os produtores rurais não deveriam desmerecer a atuação dos sem-terra a aceitar a situação como fato consumado.'' Wanderley da Silva é coordenador do Centro de Apoio para Questões da Terra Rural do MP e vai se encontrar com representantes dos ruralistas no próximo sábado, durante reunião na Sociedade Rural do Paraná.
De acordo com ele, ''só uma reforma agrária minimamente competente pode ajudar a resolver o problema''. ''Eu já ouvi o pessoal do Incra explicar que um assentamento leva 7 anos para ser feito. Esse tempo todo é combustível para os movimentos.''
O procurador disse que se inspirou em experiências internacionais para formatar uma proposta de reforma agrária que poderia trazer resultados rápidos: o arrendamento voluntário da terra pelos proprietários. ''Ao invés do Estado desapropriar a terra, faria o arrendamento por 20 anos dos fazendeiros que forem favoráveis. Seria bom para o sem-terra, que obteria seu lote; para o agricultor, que não teria a terra desapropriada; e para o governo, que poderia fazer muito mais com a mesma verba.'' (F.C.)

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