Para médicos, ministro era paciente de alto risco
Diabético, hipertenso e obeso, o ministro Sérgio Motta era classificado por seus médicos como um paciente de alto risco. Seu histórico mostra o quão delicado era seu quadro clínico. Em 27 de novembro de 97, ele foi realizar exames no hospital Albert Einstein, em São Paulo, mas permaneceu internado após ter apresentado febre e problemas respiratórios em virtude de uma infecção respiratória. O ministro passa a respirar com o auxílio de aparelhos, devido à dificuldade de irrigação do ar nos pulmões. Ele ficou internado por 20 dias.
Em maio do ano passado, o ministro realizou exames que revelaram uma apendicite crônica. Em agosto, foi internado para a retirada do apêndice. Antes de entrar no centro cirúrgico, Motta foi submetido a um tratamento de implante dentário, que havia começado no início do ano. Motta começou a ter problemas sérios com o pulmão em 1991 - quando quase morreu em decorrência da infecção bacteriana contraída quatro anos antes.
No dia 6 de outubro de 1996, foi internado no Hospital Israelita Albert Einstein, com uma infecção pulmonar de origem bacteriana. Antes de ser internado, o ministro vinha tossindo com frequência e sua voz sumia quando ele começava a falar, mas ele atribuía esses sintomas ao clima de Brasília. O ministro recebeu alta no dia 13 de outubro. As recomendações de seu cardiologista, à época, era que teria de perder 20 quilos e controlar o estresse.
Não foi só o pulmão do ministro que necessitou de cuidados. Em 18 de setembro de 95, sofreu um infarto agudo. Foi internado na UTI do Einstein e cinco dias depois foi submetido a uma cirurgia para implantação de três pontes de safena e uma mamária no coração. A cirurgia teve êxito, e Motta deixou o hospital no dia 30 daquele mês, pesando cerca de 125 quilos. Motta escolheu para a cirurgia o médico Sergio de Almeida Oliveira em vez do então ministro da Saúde, Adib Jatene.
Segundo o cardiologista Bernardino Tranchesi Jr., médico clínico que acompanhou a cirurgia, com a opção profissional e técnica de Motta, o ministro ficava mais distante de qualquer envolvimento político com Jatene. Oliveira e Jatene são apontados como dois dos melhores cirurgiões do país. (A.F.)





