Para manter acordo com PFL, tucanos ameaçam se aliar ao PMDB
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terça-feira, 26 de fevereiro de 2002
Maria Duarte Equipe da Folha 
Curitiba - O PSDB devolveu a ameaça do PFL em lançar candidato próprio ao governo com outra ameaça. Queremos que o PFL seja nosso parceiro, mas se lançarem candidatura própria, isso nos aproximará mais do PMDB, declarou ontem o vice-prefeito de Curitiba, Beto Richa, o nome indicado pelos tucanos para a sucessão do governador Jaime Lerner (PFL).
Beto disse que o PSDB não desistiu de uma aliança com o PFL, mas que a possibilidade de uma aliança com o PMDB cresce na medida em que a parceria com o PFL se afasta. E ainda mais com a tendência nacional de o PMDB apoiar a candidatura do ex-ministro José Serra, avaliou. As declarações do filho do ex-governador José Richa podem ser interpretadas como uma provocação ao PFL. O senador Roberto Requião, o presidente do PMDB no Estado, é inimigo de Lerner.
Beto já tratou do assunto uma vez com Requião. As conversas entre as cúpulas do PSDB e PMDB, intermediadas pelo presidente da Assembléia, Hermas Brandão (PSDB), entretanto, não evoluíram. Para Beto, sua candidatura ao governo independe de qualquer coligação. Porém, o partido tem manifestado interesse em se fortalecer com composições, aumentando o tempo na tevê. O presidente estadual do PSDB, Basílio Villani, disse que a tese de candidatura própria do PFL não passa de balão de ensaio.
Villani, porém, reforçou a ameaça feita por Beto Richa. O dirigente concorda que uma possível candidatura própria do PFL aproxima tucanos e peemedebistas. Não é impossível uma aliança com o PMDB, talvez amanhã o senador Roberto Requião não seja nosso adversário, disse Villani. O dirigente reafirmou ainda que o PSDB não abre mão do lançamento de uma candidatura própria às eleições de outubro.
O aceno de Beto agitou os peemedebistas. O obstáculo das articulações entre PSDB e PMDB é a aliança com o PFL. Não é que vai acontecer necessariamente uma coligação PMDB-PSDB, mas com o PFL de fora facilita, disse o deputado estadual Caíto Quintana, vice-presidente do PMDB.
O obstáculo, na avaliação dos peemedebistas, é que o PMDB não está disposto a abrir mão da cabeça de chapa. Quintana lembrou que conversas concretas só vão acontecer depois de consumada a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a obrigatoriedade ou não da repetição das alianças nacionais nos estados, e das convenções do partido, marcadas para 14 de março.


