Agência Estado
De Brasília
O ministro da Fazenda Pedro Malan afirmou ontem, durante exposição de uma hora na comissão do Senado que trata das propostas de combate à miséria, que em primeiro lugar, é necessário posicionar o Brasil em relação ao mundo para que o problema da pobreza não seja considerado de mais difícil solução do que já é. Ele se queixou de analistas que afirmam que o Brasil nunca esteve tão ruim em sua história econômica.
‘‘É uma mentira deslavada’’, reagiu Malan, dizendo que essa afirmação vem de pessoas que preferem o discurso à análise dos números. O ministro citou dados do IBGE divulgados anteontem segundo os quais o desemprego está em 7,4% e disse que de maio a setembro o índice foi inferior aos respectivos meses de 1998.
Apesar disso, segundo Malan, ainda tem gente dizendo que o desemprego está se agravando. ‘‘Há recusa de olhar os números’’, comentou, dizendo que, ao contrário, o Brasil está caminhando para melhorar, com inflação declinante e sem problemas na balança de pagamentos.
Malan disse também esperar que tenha sido sepultada a tentação de se resolver os problemas com medidas inflacionárias. Segundo ele, essa tentação existe ‘‘latente, muitas vezes inconsciente em algumas pessoas’’. ‘‘Sabemos que não é a inflação que resolve problema de pobre, nem aqui nem em lugar nenhum do mundo’’, afirmou. ‘‘Não existe país no mundo que tenha resolvido o problema da pobreza instituindo imposto sobre pobre, que é a inflação’’.
Para Malan, ‘‘esse é um trabalho de gerações, que passa pela reestruturação do gasto público, pelo combate à fraude, à corrupção e ao desperdício, com a fiscalização da própria sociedade’’.
Malan disse que, quando há vontade política, pode-se avançar muito. Ele disse acreditar que os programas de renda mínima deveriam ter maior divulgação para mostrar à população que é possível resolver muitos problemas.
Malan afirmou também que o Brasil é o país da América Latina que mais investe na área social, destinando 21% do PIB ao setor. Ele disse que esses números são atestados pelo Ipea e pela Cepal. O problema, segundo ele, é a composição, a qualidade e o foco desse gasto, que não beneficia prioritariamente os pobres. Segundo ele, no SUS, 74% dos pacientes hospitalizados pertencem ao grupo dos 20% mais ricos do País, enquanto os 20% mais pobres representam apenas 17% do total. Malan disse que acredita que o Brasil conseguirá reduzir à metade a miséria antes de 2015.

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