Para Malan, lucro foi normal
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quinta-feira, 06 de maio de 1999
Agência Estado 
O ministro da Fazenda, Pedro Malan, considerou normal o fato de 62 bancos terem registrado ganhos com a mudança na política cambial. Em entrevista à Rádio CBN de São Paulo ontem, Malan comentou o levantamento feito pelo deputado Aloízio Mercadante (PT-SP) e apresentado na quarta-feira à CPI dos Bancos. Ele disse que o próprio Banco Central havia enviado à CPI dados mostrando que 62 bancos ganharam, enquanto 50 tiveram perdas. É impossível depreender daí a existência de informações privilegiadas, como se fosse uma consequência lógica - que é o passo político que o deputado gostaria de dar, e acho que é muito difícil fazê-lo.
O ministro disse que vê com interesse o trabalho da CPI, tanto na sua vertente investigativa quanto na etapa posterior, quando deverão ser apresentadas sugestões para aprimorar o funcionamento do sistema financeiro. Ele reafirmou, ainda, que irá à CPI se convocado, e riu quando lhe foi perguntado se o governo estaria articulando para evitar sua convocação. Acho um tanto quanto surrealista essa discussão, porque desde o início, no primeiro momento, eu disse que, se convocado, não teria qualquer problema - aliás, seria meu dever, não teria escolha - de comparecer à comissão.
O levantamento feito por Mercadante, segundo comentou Malan, mostrou que 62 bancos tinham posição comprada na véspera da flutuação cambial, enquanto 50 estavam na outra ponta, em posição vendida. Isso, convenhamos, não é uma informação de enorme novidade, disse o ministro. De acordo com ele, informações enviadas pelo BC à CPI mostram que sempre existem comprados e vendidos no mercado. É difícil imaginar que, dos 62 que tinham posição comprada, todos tinham ou tiveram informações privilegiadas que outros 50 não tiveram, afirmou.
Segundo Malan, os dados enviados pelo BC à CPI mostram que mudanças significativas de posição em câmbio, algumas de valores ainda mais elevados, ocorreram em diversas outras ocasiões de nervosismo no mercado. Elas aconteceram no final de 94, quando houve a crise no México, em março de 95, quando o então presidente do BC, Pérsio Arida, foi substituído por Gustavo Loyola, na crise asiática em 97 e na crise russa em 98.
Em quase todas essas ocasiões, essas mudanças - algumas delas foram muito mais significativas do que agora - as pessoas que apostaram em uma desvalorização do real perderam dinheiro, e o Banco Central ganhou dinheiro, disse o ministro.


