Para maioria, denúncias não desabonam as leis
A confiança nos pareceres que acompanharam os projetos foi o argumento mais usado pelos vereadores para explicar seus votos à reportagem da FOLHA. Na opinião da maioria deles, as denúncias que estouraram após a prisão de Henrique Barros (sem partido) não desabonam as leis já sancionadas, nem justificam revogações.
''Nenhum senão em relação aos projetos foi levantado no plenário ou nas comissões, os pareceres estavam corretos, tinha o Idel dizendo que estava tudo certo. Não havia por que votar contra'', sustentou o vereador Tercílio Turini (PSDB). ''Todos os pareceres vieram favoráveis. Se existiu alguma coisa nos bastidores, não podemos todos ser responsabilizados só porque votamos a favor'', avaliou Jamil Janene (PMDB).
Referindo-se às leis de doação de terrenos - natureza de um dos três projetos que podem ter sido ''pagos'' para serem aprovados na Câmara - o líder do prefeito na Câmara, vereador Gláudio de Lima (PT), ressaltou que os empresários procuram primeiramente o Idel, onde os pedidos são submetidos a uma comissão de avaliação. ''Ali tem representantes da sociedade civil e da própria Câmara. Se teve algum vereador que articulou no Idel, eu não tenho como te dizer'', afirmou. Até sua renúncia, era justamente Barros o representante dos vereadores na Comissão de Industrialização do Idel.
Para o presidente da Comissão de Ética da Câmara, Roberto Kanashiro (PSDB), que ajudou a aprovar os três projetos, é um equívoco por parte da população achar que os votos favoráveis colocam todos os vereadores sob suspeita. ''Analisamos vários aspectos, como importância e interesse público. Não quer dizer que estando a favor, você esteja no hall dos que levaram alguma vantagem.''
Na análise do presidente da Câmara de Vereadores, Sidney de Souza (PTB), é natural que os três projetos agora alvos de denúncias tenham sido aprovados com folga na Casa. ''Estranho seria se um projeto que não veio com indicativo de erro, de falhas, não tivesse maioria dos votos. Se fosse o contrário, a Câmara estaria criando dificuldades onde elas não existem e aí sim teria que se questionar. Essa história de 'votou a favor, é suspeito' é uma inversão de valores muito grande'', asseverou, acrescentando que o Idel também deveria ser questionado.
O presidente do Idel, Mauro Viecelli, sustentou que o órgão só encaminha projetos de doação de terrenos quando o pedido é ''pertinente'' e a empresa preenche todos os pré-requisitos - o que ocorreu no caso da área doada à empresa de metais sanitários Flex, segundo ele. ''O Idel não tem nada a ver com essa história'', resumiu, referindo-se ao escândalo da Câmara.
Sobre o fato de o empresário Maurício De Biagi, dono da Flex e da Higiban, ter ganhado dois terrenos do Município em quatro meses, Viecelli alegou que ''são duas empresas diferentes, com CNPJs diferentes''. Segundo o presidente, até agora nada foi construído em nenhum dos terrenos. (V.N.)





