Agência Estado e Redação
O presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), afirmou que houve um erro da parte do presidente Fernando Henrique no processo que resultou na demissão de Campelo. ‘‘Se nomeou e demitiu, não há dúvida de que houve um erro na nomeação. O governo errou’’, disse ACM em Lisboa, onde participa na 10ª Conferência de Presidentes de Parlamentos Democráticos Ibero-Americanos.
ACM disse que apenas depois de escolhido o novo diretor da PF é que será possível fazer um balanço de quem ganhou e quem perdeu: ‘‘Primeiro tem que saber quem vai. Enquanto não souber quem vai não dá para saber quem se fortaleceu’’. ACM não teria nomeado Campelo e diz que conduziria o processo de forma diferente. ‘‘Não nomeio quem não conheço’’.
Com ironia, ACM disse que ignora quem vai ser indicado pelo presidente amanhã para dirigir a PF. ‘‘Se o presidente não sabia, botou o Campelo e tirou, como é que eu posso saber quem vai?’’. Para ACM, o cargo de diretor da PF não é apenas técnico. ‘‘Qualquer cargo dessa função é as duas coisas. Se ele é técnico tem que virar político porque o cargo é político também’’.
Para o coordenador do Movimento Tortura Nunca Mais no Paraná, Narciso Pires, o pedido de exoneração de Campelo da Polícia Federal não altera a situação. ‘‘Com ou sem exoneração, o fato aconteceu e representa um profundo desrespeito aos cidadãos brasileiros. O governo tinha informações das atividades do delegado, mas considerou-as irrelevantes, por terem ocorrido há trinta anos’’, afirma Pires.

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