O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, disse que o presidente Fernando Henrique Cardoso está sendo ‘‘autoritário’’ e ‘‘intransigente’’ ao se recusar receber os governadores de oposição para tratar da renegociação das dívidas dos Estados. ‘‘Fico boquiaberto de ver que o presidente tem tanto tempo para conversar com o FMI, com George Soros e com tantos trambiqueiros universais e se recusa a conversar com três governadores eleitos’’, disse Lula, referindo-se aos governadores do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra (PT), do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho (PDT) e de Alagoas, Ronaldo Lessa (PSB).
Na opinião do petista, a renegociação das dívidas estaduais justifica-se pelo fato de que os acordos com a União foram firmados no final dos mandatos dos antecessores dos atuais governadores. ‘‘O acordo com os governadores foi feito em fim de festa, quando se vende até a alma ao diabo para ganhar as eleições’’, sustentou Lula. ‘‘Gostaria de saber quais são as forças ocultas que estão proibindo o Fernando Henrique Cardoso de utilizar de bom senso e receber os governadores’’, disse Lula.
Ele voltou a dizer que o presidente Fernando Henrique Cardoso teria cancelado a reunião com os governadores de oposição, a pedido do Fundo Monetário Internacional (FMI). ‘‘Isto porque o FMI fez um arrocho à mais e está impondo ao governo federal que exija o ajuste também dos Estados’’, justificou. O presidente nacional do PT, deputado federal José Dirceu (SP), lembrou que a missão do Fundo passou o dia de anteontem reunida com o objetivo de estabelecer os parâmetros dos superávits dos Estados.
Dirceu também defendeu o encontro entre FHC e os governadores a fim de solucionar os problemas internos das dívidas estaduais. ‘‘Todo Estado que fala que tem como pagar está mentindo’’, afirmou o deputado. ‘‘A Roseana Sarney e o Tasso Jereissati não podem reclamar porque estão se sucedendo’’, argumentou Lula, numa referência aos governadores do Maranhão e do Ceará, reeleitos para um segundo mandato. ‘‘Quem pegou o abacaxi dos outros governadores, tem mais é que querer negociar’’, concluiu.
Durante coletiva no diretório nacional do PT, Lula e Dirceu lembraram fatos da trajetória do partido, que comemora, na quarta-feira, 19 anos de existência. Entre os fatos, Lula ressaltou a participação do PT na luta pelas eleições diretas e o papel da legenda na constituinte de 1988. ‘‘O PT chegou onde chegou, porque ousou muitas vezes a remar contra a tendência dominante’’, afirmou Lula.

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