O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, disse ontem, no Rio, que o ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes não prestou depoimento à CPI dos Bancos porque quis ‘‘livrar a cara’’ da atual diretoria do BC e do presidente Fernando Henrique Cardoso. ‘‘Ao recusar-se a assinar o termo de compromisso na CPI, ele evitou um desgaste ainda maior do governo’’, disse Lula, depois de um almoço com o governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT).
‘‘Ele tinha menos a perder do que o BC e o Palácio do Planalto’’, afirmou. Segundo Lula, os advogados de Francisco Lopes devem ter dado informações sobre a estratégia para o governo federal. ‘‘Possivelmente, Chico Lopes sairia prejudicado, mas, como ele não é político, não precisa de voto, as consequências são diferentes’’. Lula acredita que o episódio já demonstrou que a ‘‘corrupção’’ no governo FHC está mais do que comprovada.
Em Brasília, os deputados Carlos Santana (PT-RJ) e Fernando Ferro (PT-PE) protestaram ontem, diante da Câmara, contra o aumento do salário mínimo em estudo pelo governo. Eles tentaram comprar frutas com os R$ 7,00 que o governo pretende agregar ao atual valor do mínimo. Tiveram de colocar R$ 0,50 para trazer oito abacaxis, comidos em frente do Legislativo.
Outros sete deputados da oposição vão permanecer no plenário da Câmara até amanhã. Será uma vigília em protesto contra a ausência de discussão dos projetos que aumentam o valor do mínimo. São eles: Vivaldo Barbosa (PDT-RJ), Paulo Paim (PT-RS), Agnelo Queiroz (PC do B-DF), Ângela Guadagnin (PT-SP), Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), Pedro Celso (PT-DF) e Dr. Rosinha (PT-PR).

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