O ex-presidente nacional do PT Luiz Inácio Lula da Silva (foto) disse ontem em Curitiba que o ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes (PPS) terá de mudar o seu discurso político se quiser integrar a frente das esquerdas contra a reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) na disputa do ano que vem. Segundo Lula, o ex-ministro, que tenta costurar junto com a ex-prefeita de São Paulo Luiza Erundina (PSB) uma candidatura a presidente com o aval do governador de Pernambuco Miguel Arraes (PSB), não é de esquerda e nem adota um discurso socialista. ‘‘Razão óbvia para que ele (Ciro Gomes) não venha para a nossa frente’’, conclui.
Lula afirmou ainda que o discurso do PPS não corresponde à prática. Citou como exemplo a influência política do presidente nacional do partido, senador Roberto Freire, na indicação do ministro da Reforma Agrária, Raul Jugmann. Lula acrescenta que está disposto a abrir mão de sua condição de pré-candidato à Presidência da República em 98 se a frente, integrada pelo PT, PC do B, PDT e PSB, apresentar outro nome com maior viabilidade eleitoral. ‘‘Estou disposto a me tornar um cabo eleitoral se os partidos de esquerda assim entenderem. Há um ano e meio tenho dito que o PT precisa de outro candidato’’, assinalou o dirigente nacional, que descarta por antecipação qualquer possibilidade de vir a ser o vice de Ciro Gomes, em caso de fechamento de um acordo com o PPS.
A demora na indicação do candidato não deve ser preocupação para as esquerdas, discursou Lula, que veio ao Paraná ontem com comitiva petista para discutir com o governador Jaime Lerner (PFL) os conflitos de terra (leia sobre esse assunto no caderno ‘‘Folha Cidades’’). Segundo ele, o encontro extraordinário do PT, marcado para dezembro, pode ser a oportunidade para a esquerda definir candidaturas. ‘‘Que o FHC está em campanha, não temos dúvidas. De ateu, já foi até num ato dos evangélicos’’, ironizou Lula numa referência à manifestação das igrejas evangélicas ocorrida em São Paulo, no último domingo.
O dirigente nacional do PT entende que o atraso das definições em torno de um nome não traz prejuízos concretos para a campanha anti-Fernando Henrique, mas ressalva que a legislação eleitoral é ruim para os candidatos que não são conhecidos nacionalmente, o que não é o seu caso.
Lula voltou a defender também a ampliação das discussões das esquerdas a setores tidos como conservadores, durante anos pelo PT. Reafirmou que se o discurso do empresário do grupo Votorantin, Antonio Ermírio de Moraes, publicado pela revista ‘‘Veja’’ na semana passada, estiver valendo, ‘‘o empresário está convidado a subir no palanque das oposições em 98’’.

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