Para líderes, imagem da Casa ficou desgastada
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domingo, 08 de janeiro de 2006
Janaína Garcia<br>Reportagem Local 
Desgaste é a palavra de ordem para caracterizar o ano de 2005 na Câmara de Vereadores de Londrina. O sentimento foi o primeiro a ser evocado por três vereadores que já ocuparam ou ocupam a presidência do Legislativo, como forma primeira de caracterizar a recém terminada 14 Legislatura.
A Folha ouviu as opiniões do atual chefe da Mesa Executiva, Orlando Bonilha (PL), que cumpre o terceiro mandato; Renato Silvestre Araújo (PP), vereador com mais tempo de Casa: oito mandatos; e Tercílio Turini, que no decorrer desse primeiro ano de quarto mandato trocou o PSDB pelo PPS.
As análises de Araújo e Bonilha apresentam vários pontos em comum, quando o assunto é o balanço final das atividades. ''Acredito que o afunilamento de projetos polêmicos nas últimas sessões nos gerou um desgaste violento, mas, por excelência, e mesmo pelo número de projetos de lei que conseguimos aprovar, foi um ano bastante positivo'', avalia Araújo.
Apesar do otimismo, o vereador do PP fez críticas às recomendações jurídicas do Ministério Público (MP), no decorrer deste ano, sobre projetos em discussão na Casa. Uma delas, por sinal, foi contra a nomeação de parentes de parlamentares a funções no Legislativo, especialmente assessorias. Outra, mais recente (novembro), recomendava pela não contratação dos recém criados postos de controlador e assessor de Controladoria como cargos em comissão, e sim, concursados.
''Isso levanta a sociedade contra nós, além de ser uma interferência. E com tanta coisa mais para fazer .... São essas situações externas que chateiam e que criam decepções com a Câmara. E com tantos denuncistas de plantão, acabam aceitando qualquer ação contra vereador'', reclama.
Atual presidente da Câmara, Bonilha também falou em denuncismo, mas dessa vez para classificar a origem do desgaste que ele afirma ter acometido o Legislativo londrinense. Nesse caso, o parlamentar faz referência direta às denúncias da ex-assessora financeira da campanha petista de 2004, Soraya Garcia. Nos depoimentos ao MP e à Polícia Federal, Soraya disse que candidatos a vereador na coligação do PT teriam recebido dinheiro não declarado à Justiça Eleitoral.
''Sofremos as consequências do denuncismo - não vou dizer que isso não nos abalou, pois abalou. Mas ainda assim terminamos em clima de otimismo, até
melhor do que esperávamos'', conta Bonilha. O vereador evita o assunto Ministério Público - prefere reforçar que ''enfrentamos e vencemos a turbulência.''
Para Tercílio Turini, ex-presidente da Casa no mandato anterior, as dificuldades de 2005 conseguiram superar as de 2000, ano em que o ex-prefeito Antonio Belinati (hoje PP) foi cassado pela Câmara. ''Essa foi a primeira reeleição da história de Londrina, e pensávamos que seria um quinto ano do (prefeito) Nedson, mas não foi. Na verdade, foi o ano em que todas as dificuldades financeiras foram expostas, especialmente com a greve, e isso respingou mal na imagem do Legislativo'', pondera, lembrando que os vereadores intermediaram parte das negociações infrutíferas entre servidores e administração.
Espécie de líder de um grupo de minoria que nem sempre vota com a numerosa base aliada, Turini criticou o volume de projetos em discussão nas sessões extraordinárias e a forma como foram votados. O que altera o Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) do funcionalismo público municipal, por exemplo, passou com 63 emendas, a despeito da ala minoritária do Plenário pedir a votação apenas em fevereiro de 2006.
''Foi uma loucura essa imensidão de projetos, de modo que a independência da Câmara ficou abalada. Rompeu-se o ponto de equilíbrio que teria de haver com o Executivo, pois nós é que tínhamos de impor limites a ele, fiscalizando. Ao invés disso, mandaram um secretário de Governo nos pressionar e impor a vontade da Prefeitura, o que ficou bem claro com a instalação do secretário na Presidência da Câmara todos esses dias'', acusa.
A Folha tentou ouvir o secretário municipal de Governo, Adalberto Pereira da Silva, mas ele não atendeu os telefonemas da reportagem. (J.G.)


