Para líderes, 10 postos 24 horas é ''exagero''
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sábado, 09 de setembro de 2000
Pedro Livoratti De Londrina 
A área de saúde de Londrina vem merecendo várias propostas. Uma delas é a ampliação da estrutura existente, como defende o candidato Farage Kouri (PFL), que sugere 10 postos de saúde 24 horas, atendendo todas as regiões da cidade. Médicos e representantes de usuários, consultados pela Folha, afirmam que a estrututura da cidade que conta com mais de 50 postos é suficiente para a demanda, mas cobram melhoria no chamado atendimento terciário, ou seja, consultas com especialistas.
Farage afirma que foi mal interpretado e que sua proposta não prevê a construção de 10 unidades, mas sim a estruturação de 10 postos. Atualmente a cidade conta com apenas dois um no centro e outro na zona oeste. Conversei com o secretário de saúde, profissionais e pessoas da área e apurei a necessidade dos 10 postos, justificou. Segundo ele, a prefeitura apenas teria de fazer investimento em recursos humanos, conseguindo um grande alcance social. Para fazer frente às longas filas no atendimento especializado, o candidato sugere convênios com clínicas e consultórios privados.
O presidente da Associação Médica de Londrina (AML), Pedro Lopes, explica que a proposta da entidade foi apresentada aos cinco candidatos. Defendemos um melhor aproveitamento da estrutura existente, resume. O diretor da Santa Casa de Londrina, Fahd Haddad, afirma que o principal ponto é a demanda dos casos considerados mais complexos. Cerca de 60% dos atendimentos são casos de urgência, mas de menor complexidade. Na avaliação do diretor, o ideal é ter postos 24 horas para atendimento médio. As unidades contariam com médicos plantonistas para os casos simples. Problemas mais graves ou especializados seriam remetidos aos hospitais maiores.
O presidente do Conselho de Saúde da Região Leste (Conleste), Armando Porto Alegre, também não acha necessário mais postos 24 horas. Já a presidente do Conselho de Saúde da Região Sul (Consul), Angélica Souza, afirma ser inviável a manutenção de mais unidades 24 horas em Londrina. Se houver profissional nas unidades que possuímos com atendimento básico já será bom. O que a população reclama é a falta de médico, afirmou. Angélica defende, no entanto, pelo menos um posto de saúde com portas abertas até às 23 horas em cada região. Atualmente Londrina conta com apenas duas unidades do gênero.
Ainda segundo a presidente do Consul, o problema crucial da área da saúde é o atendimento especializado. A fila para consultas com oftalmologista, por exemplo, registra 17 mil pacientes na espera.


